08 abril 2009

A luta derradeira

Abhisit Vejjajiva
É a última, a desesperada carga banzai dos assalariados de um homem que teve o país nas mãos e depois enveredou pelo associativismo criminoso. Esperavam hoje os vermelhos 300.000. Ora, pelas contas avisadas, não terão passado de 50.000, muito empolados - comme il faut - pelos jornalistas ocidentais aqui estacionados nos hotéis de luxo e sempre prontos, entre a praia, as compras ou os bares, a dizerem mal da Tailândia e picarem o ponto do correctês político europeu, feito de cavalheiros tão ilustres e probos como o cavalieri ou de acontecimentos de somenos como a anarquia em que caíu Atenas há semanas.

A monarquia está de betão e bem armada e ontem pela primeira vez alguém ousou dizer que aquilo que anima Thaksin é o plano para derrubar o regime. É um segredo de Polichinelo, pois até ao espírito mais obtuso esse falso segredo não passa de coisa que todos sabem mas ninguém ousa proferir.

As ruas estão cheias de turistas - acabou o efeito Dezembro - e hoje foi-me difícil arranjar lugar num imenso restaurante, tão preenchido estava com famílias inteiras de europeus. Como aqui disse em Dezembro, a crise política acabou. O que pelas ruas vai é o canto do cisne de um magno plano em fase minguante. Prometo fotos esclarecedoras para os próximos dias. Tirei-as ontem e lá estava o lumpen do lumpen da banditagem armada, de varapaus, matracas, catanas e camuflados, punhos cerrados aos gritos pela liberdade, "contra a ditadura" (qual?) e contra os "privilégios". Ora, se há privilegiado nisto tudo é o mandante que lhes paga e acicata, que vive fora da lei algures num potentado do Golfo e vai pagando, corrompendo e intrigando.

O Primeiro-Ministro, que mantém a actividade corrente e não fugiu para parte incógnita, tem dado mostras de grande sensatez e autodomínio. Ontem, um bando de rufias bloqueou-lhe a passagem da caravana e estiveram segundos de o esfolar vivo. Minutos depois, Abhisit Vejjajiva participava num encontro com a imprensa e ria-se sem vestígio de susto. É destes homens que a Tailândia precisa para resolver de vez o equívoco e clarificar quem está pelo Rei e quem contra a monarquia cobardemente conspira sem se atrever dizê-lo.

Pela noitinha ouvi um pateta americano, correspondente da maior caixa de mentiras global que dá pelo nome de CNN. Lá estava na discursata combinada a verborreia do dinheiro que gosta de brincar ao povo e às revoluções: a alusão à "clique palaciana", ao exército, à burocracia e à monarquia. Claro, terão de passar sobre 300.00 militares e um milhão de funcionários da Coroa, mais três milhões de quadros liberais para, finalmente, aqui instalarem umas novas Filipinas. Terão, sobretudo de passar por cima de um povo compacto que nasceu, foi educado e cresceu ao longo de décadas no culto da lealdade para com a monarquia. Esse dia, estou certo, nunca acontecerá.

Pois, se querem saber da minha sensibilidade digo-o: sou pela monarquia, pela aristocracia, pelo exército, pela Tailândia culta e preparada para dirigir um Estado moderno. Sou, sobretudo, por este povo que amo como ao meu e que atravessa hoje a linha de fogo que separa a dignidade do abastardamento. Se os tais vermelhos plutocráticos vencessem, dentro de dez anos a Tailândia seria apenas mais um entre os países subdesenvolvidos da Ásia que foi primeiro colonizada e depois comunizada.

Há dias em que me apetece escrever ao correr dos sentimentos, sem rodriguinhos e sem fazer estilo.



เพลงเทิดพระเกียรติ

1 comentário:

Carla Teixeira disse...

Ótimos escritos.