04 abril 2009

Guerra entre a Tailândia e o Camboja ? / กองทัพบกไทย


Questiona-me um leitor sobre o conflito armado que parece iminente entre o Camboja e a Tailândia. Para sossego dos turistas que aqui chegam todos os dias - tenho encontrado portugueses por toda Banguecoque, facto que registo com apreço - não há mais que esporádica troca de tiros entre tropas de ambos os países numa pequena zona disputada. Não há perigo para a Tailândia, bem entendido, se bem que para o Camboja constitua grande ousadia envolver-se numa escalada com Banguecoque. O exército tailandês é uma temível força de choque, possui forças terrestres muito bem apetrechadas, bem comandadas e experimentadas, uma força aérea numerosa e moderna e a mais forte marinha de guerra da região, equipada com modernas fragatas e um porta-aviões. Acresce que a Tailândia possui forças especiais - comandos, para-quedistas e grupos de intervenção especializados em operações de guerrilha - que garantem operar no interior das fronteiras de qualquer Estado limítrofe. Estou certo que, se houvesse guerra, esta duraria meia dúzia de dias, tamanha a desproporção numérica e qualitativa das forças em presença. Os thais não são belicosos, são pacientes e não se deixam provocar com facilidade. O Camboja usa a questiúncula fronteiriça para angariar simpatias, sobretudo do Vietname, mas não ultrapassará o risco, pois sabe que não pode contrariar a mais pequena retaliação do Exército Real Tailandês. Um oficial da Real Força Aérea que aqui reside no prédio, disse-me ontem sem o mínimo assomo de riso: "se houver guerra, tomamos o pequeno almoço na fronteira e jantamos em Phenom Phen".



Marcha patriótica tailandesa

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Um pequeno almoço que não convém nada. A guerrilha é outra coisa e sabemos no que pode dar. Muito pior é a situação na Birmânia e os refugiados que entram na Tailândia aos milhares. Só à China pode interessar a desestabilização da zona, agora que conquistou o Nepal e os pontos altos e passagens dos Himalaias. É claro que na "Europa" devem estar ansiosos por encontrar argumentos para atacar o governo de Bangkok. São capazes de tudo, talvez até de cantar hossanas aos khmers vermelhos.

Jose Martins disse...

Deixo aqui, apenas, uma pequena informação.

Em Janeiro de 1992, após a retirada das tropas do vietname, fui ao Cambodja fazer uma reportagem e verificar com o país tinha ficado depois de vários anos em guerra.

Por lá só havia, doenças, pobreza e muita fome.

Desde então e já já vão 17 anos, no Cambodja pouco ou mesmo nada melhorou.

Há 12 anos houve por lá um conflito político, com tiros à mistura e no mesmo dia os aviões da Força Real Tailandesa estava a aterrar no aeroporto de Phnom Penh e a evacuar os seus cidadãos e os estrangeiros.

Entre eles pai e filho portugueses.

O conflito junto ao santuário Khao Phra Viarn, tudo me leva a crer, que teriam sido por motivos, entre soldados, de "rixas" (que nada têm a ver com a política entre os Governos dos dois países).

Bem sabe o Governo do Cambodja que se declarasse guerra à Tailândia que seria o mesmo que o exército tailandês bater em "mortos".

A Tailândia deve ter as forças meilitares mais bem preparadas e desciplinadas de toda a Ásia.

Só em Lopburi (de uma fonte que recolhi há poucos anos) estão ali estacionada uma força militar de combate, oficiais e logística cerca de 700 mil pessoas.

O embate, militar de momento é nem mais nem menos uma guerra "de alecrim e manjerona"
De Kanchanaburi
José Martibs

Nuno Castelo-Branco disse...

José Martins, se no tempo de Pol Pot não houve conflito, porque terá de se fabricar um agora?