14 abril 2009

Estranhas coincidências


Tenho para mim que o fracassado golpe vermelho foi urdido com apoio de forças e interesses não-tailandeses, na Tailândia ou fora dela, visando destruir no estádio inicial o governo de Abhisit Vejjajiva. Para tal, recorreu-se à intoxicação da opinião pública internacional através das grandes cadeias noticiosas, tentando-se descredibilizar e lançar dúvidas sobre a legitimidade constitucional do governo em exercício. Importa rememorar três ou quatro incidentes que surgiran ex nihilo no decurso das úiltima semanas e que agora, com toda a justeza, podemos caracterizar como preparatórios à insurreição plutocrática e caciquista de Thaksin.
1. O caso dos rohinya, que fez o noticiário de meio mundo. Dizia-se que as Forças Armadas da Tailândia haviam morto meio milhar de rohinya no alto mar. Há provas ? Foram divulgadas ? Tratava-se de lançar sobre as FA's o ónus do odioso, paralizando-as em momento crítico.
2. A tensão militar entre a Tailândia e o Camboja. Os cambojanos, amigos de Thaksin, recorreram ao longo das últimas semanas a uma infindável série de provocações visando uma resposta enérgica. É evidente que tal manobra reclamaria da comunidade internacional uma unânime condenação, o isolamento do governo thai e a imposição de uma guerra impopular para a generalidade dos tailandeses.
3. Ao longo dos últimos dias, num dos jornais em língua inglesa publicados em Banguecoque, apercebi-me, pela primeira vez, da utilização de jargão ofensivo da imagem e autoridade moral da Coroa. Pela primeira vez dei com as expressões "clique da corte", "forças imobilistas" e "reaccionárias" que me levaram de imediato a lembrar a terminologia com que em tempos passados os comunistas procuravam desgastar as instituições que lhes faziam frente.
O que estava preparado, perdoe-se-me o atrevimento, era levar o primeiro ministro a resignar no sábado passado, após a vergonhosa invasão e paralização da cimeira da ASEAN, abrir um vazio de poder e exercer pressão de rua sobre o poderoso Conselho Privativo do Rei, a única entidade remanescente que poderia agir em defesa da Coroa em situação de emergência.


Esperava-se que Abisit fugiria e que as Forças Armadas assumissem uma posição dúbia. Nesse quadro, o prosprito Thaksin regressaria à Tailândia e imporia o poder da rua ao Rei. O golpe falhou. Os homens revelam-se na adversidade. Abhisit mostrou-se sereno e firme, mostrou uma coragem física digna de registo, não negociou com vândalos, falou ao país três vezes por dia e sai desta crise com uma força moral que o levará, estou certo, a dirigir as necessárias reformas políticas e sociais que impeçam a repetição do thaksinismo. A cinco três dias do drama que viveu Banguecoque, convido os meus leitores a visionrem a peça em duas partes aqui disponibilizadao. Dir-se-ia que a jornalista da BBC sabia exactamento o que estava na forja. Coincidência ou tlvez não !

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