11 abril 2009

Chegou o momento das Forças Armadas


O poder possui sempre a ultima ratio regum. Quando lhe treme a mão e vacila, perde a legalidade e o Estado ameaça sucumbir ante o poder da rua. Ontem estranhara a ausência das milícias vermelhas na rotunda do Monumento à Vitória. Pensara, ingenuamente, que um pouco de bom senso levara os caciques de Thaksin a retirar das ruas gente tão pouco recomendável. Ontem, um pouco por toda Banguecoque, foram os civis que chamaram a si a responsabilidade de confrontar os piquetes de gangues vermelhos que obstruiam o trânsito. A opinião pública começa a reagir espontaneamente ao terrorismo dos auto-proclamados "democráticos" que lembram o pior do nosso famigerado PREC dos idos de 74 e 75.


Hoje, não contentes por penalizarem a vida a milhões de tailandeses que se preparavam para abandonar a capital com destino às suas terras na província, por ocasião do Songkran - ano novo tailandês - os vermelhos fizeram o inaudito: atacaram a cimeira da Asean que decorria na estância balnear de Pattaya. Uma tremenda humilhação para o governo e o Estado tailandeses, um acto de aberta rebelião e, porque não, um acto de traição ao país. Diz-se à viva voz que Thaksin está no Camboja - onde possuiu bancos e uma estação de televisão - e tem sido o agente por detrás da escalada da tensão militar entre cambojanos e tailandeses na disputada zona de fronteira a que aqui aludismos há dias. Ou seja, o proscrito ex-primeiro ministro ameaça juntar às condenações in absentia outras ainda mais graves de inteligência com países estrangeiros visando trazer a guerra ao seu próprio país.

Cai por terra a ideia de um movimento pacífico e acatador dos valores próprios à ética democrática. A gente que hoje vandalizou, ameaçou e agrediu em Pattaya é, com toda a propriedade e literalidade, ralé contratada entre o lumpen da criminalidade organizada, o submundo de uma Tailândia que nunca tinha tido oportunidade de se mostrar. Dir-se-ia que os vermelhos cometeram a proeza de reunir de uma assentada todos os presidiários do país e dar-lhes uma bandeira política. As pessoas mais moderadas e sensatas com quem falei, as dezenas que são entrevistadas pela tv e o povo chão que pelas ruas anda começam a pedir uma terapia de choque que evite o pior. Creio ter chegado o momento das Forças Armadas assumirem as suas responsabilidades. O dia de hoje permitiu desvelar a verdadeira face desta arremetida vermelha. Mostrou ao país e ao mundo o tipo de gente que se abriga sob o chamado thaksinismo. Espero, pois, que ante qualquer intervenção cirúrgica do Exército, não venham as Cinderelas e as Brancas de Neve costumeiras bradar aos céus pelo golpismo da única instituição capaz de fazer regressar a Tailândia à paz e à ordem.
Sei que há muito tolo no Ocidente que vive agarrado a "romantismos de acção", a messianismos revolucionários e outras expressões de adolescente imaturidade. No fundo, as "revoluções" só acontecem porque não encontram pela frente um regimento disciplinado que reponha a autoridade nas ruas controladas pelos díscolos. Sabe-se hoje que a mitificada Marcha sobre Roma teria sido varrida em minutos se os carabineiros sobre ela tivessem descarregado, que as turbas de Khomeiny não teriam ido tão longe se o Exército imperial tivesse agido a tempo e que a falseada jornada da tomada da Bastilha teria sido tudo - motim, altercação, rebelião - mas nunca o início de uma revolução, se o comandante da fortaleza, em vez de negociar com a ralé, tivesse feito o que lhe pedia a sua formação militar. Avesso a golpes de Estado, lembro aos mais aguerridos civilistas que DeGaulle recorreu a um golpe militar em 1958, e em 1968, perante o caos em que mergulhara a França, voou para a Alemanha e aí deu instruções para um novo golpe militar visando salvar a França do desastre.

5 comentários:

M Isabel G disse...

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1373728&idCanal=11

Um beijinho Miguel
Espero que esteja tudo bem consigo.
Há dias pediram o seu mail. Uma colega ligou para mim e eu dei-lhe o blog Combustões.
Não sei quem seria .

Paulo Selão disse...

E em Portugal, os «heróis» da Rotunda tinham sido esmagados se o exército tivesse marchado em peso sobre eles... E El-Rei D. Carlos e SAR D. Luís Filipe não tinham sido vítimas de um atentado terrorista se tivessem sido tomadas rigorosas medidas de segurança. Mas quando assim não é...

Nuno Caldeira da Silva disse...

Pois é são tal e qual a outra ralé que durante 193 dias pertirbou o país e as pessoas na Tailândia. Quando é que serão todos, não só estes metidos atrás das grades como merecem?

Combustões disse...

Pois Nuno, mas a outra "ralé" não o era e até parecia cheia de razão antes do tempo. A questão é esta: aquele governo era composto pela mesma gente que ondem esteve em Pattaya e era preciso cortar-lhe qualquer autoridade legal e institucional. O novo governo, ao contrário do que dizes, está-se a portar com ENORME DIGNIDADE, e tenta não matar - disparando sobre a multidão como o governo "vermelho" o fez em Outubro. Agora, se o princípio do "quanto pior melhor" parece entusiasmar muitos observadores, o resultado vai ser contrário às "regras democráticas". Tudo vai acabar com a tropa no poder e nesse dia vai sair à rua uma multidão a perder de vista para aplaudir os militares. Infelizmente, desde que comecei a seguir esta novela, tenho tido razão. Veremos.

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois, pelo que parece, existe uma nítida tentativa de derrubar o regime, tal como aconteceu no Nepal. Até desconfio da origem da coisa. os mesmos de sempre. Antes foice e martelo, agora recauchutados em "negócios". Espero que o povo Chakri aguente a onda.