12 abril 2009

Banguecoque entre o recolher obrigatório e a batalha da água / สงกรานต์

Pistoleiro vermelho em pleno ataque à viatura de um Secretário de Estado.

Os gangues vermelhos atacam indiscriminadamente. O condutor de um carro do governo espancado pelos bandos thaksinistas

Fui há pouco entrevistado pela SIC e limitei-me a fazer o quadro da situação, que estimo muito empolada por certa comunicação social global. Os vermelhos pró-Thaksin - o ex-primeiro ministro com mandado de captura por crimes de corrupção no exercício de funções - tentaram hoje um pouco por toda a capital repetir os actos de rebelião e vandalismo que ontem assolaram a estância turística de Pattaya. Os ajuntamentos que conseguiram realizar foram de imediato dispersados pelas forças militares e militarizadas sem recurso ao emprego da violência. Pelas catorze horas locais, o governo deu instruções para que as grandes superfícies comerciais fossem encerrados e decretado o fecho do metropolitano para as 22 horas. Passeando pela baixa de Banguecoque, dir-se-ia que a cidade tinha sido evacuada, tão poucos os peões que encontrei.

Paragon, o maior centro comercial da Tailândia, de portas fechadas ao público (16.30 horas)

Almoço num restaurante sem clientes (17.30 horas)

Estação de Metro de superfície vazia (21 horas)

Carruagem de Metro sem passageiros (21.10 horas)


A Praça Siam, habitualmente dominada por engarrafamentos às 22 horas

Inquieto pelo silêncio que me encheu de presságios, fui a Silom, o coração da diversão de Banguecoque. Uma mole humana a perder de vista, sorridente e despreocupada, entretinha-se em lutas sem sangue. Estamos em pleno ano novo thai - o Songkran - que é festejado pela população com verdadeiras batalhas de água. Não vi um só camisa vermelha mas reparei que muitos dos folgazões vestem as cores do Rei (amarelo e azul). Passando pelo ginásio, a dois quarteirões da estação de metro, entretanto encerrada, encontrei meia dúzia de amigos que se preparavam, eles também, para a batalha da água. A minha amiga Fá, que trabalha num ministério como quadro superior dirigente do Estado, disse-me: "não se preocupe, os vermelhos vão perder o fôlego se não lhes ligarmos".

Silom, a luta da água e da farinha branca

As únicas armas que disparam em Banguecoque

Um temível guerreiro das águas

Festa para todas as idades


Deep night. Rudy Vallee and His Connecticut Yankees (1929)
Fotos: as duas primeiras, retiradas do Daily Life; as restantes de MCB

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Não convém baixar a guarda, porque há sempre uns patetas em Washington e Bruxelas, obcecados pela padronização de tudo e de todos. E a quem aproveitará finalmente o crime? Aos mesmos de sempre, aqueles que tomaram o poder em Katmandu e que hoje controlam todas as "passagens para a Índia". Mas isso não rala minimamente os democratas da treta, pois um trapinho vermelho ao pescoço serve de desculpa para tudo. desde que se façam uns negócios, claro...