02 abril 2009

Compreender a genética do poder para salvar a liberdade

"O grande problema da nossa época é que os homens não querem ser úteis, mas importantes" (Winston Churchill)
Abaixo de cão:
A política tailandesa pouco me diz e sobre ela assumo uma atitude, senão indiferente, distante. Ocasiões há, porém, em que a tento compreender, evitando dela aproximar-me de forma acalorada mas compreender-lhe as manifestações.

Desde há dias que se verifica pequena agitação em Banguecoque em torno do Palácio do Governo. Uma manifestação de estipendiados do ex-primeiro ministro insiste em copiar - em versão desengonçada, já sem novidade e sem graça - a vaga amarela que em Dezembro obrigou à saída de um governo absolutamente incapaz de se fazer respeitar. É evidente que a agitação vermelha não alterará o estado das coisas e poderá, até, levar os tailandeses a retirar aos partidários de Thaksin a influência de que ainda gozam em algumas regiões do país. Esta gente não é, bem entendido, aquela falange de amantes da ordem e do civismo que alguns jornalistas aqui estacionados pretendem fazer crer aos incautos leitores de Londres, Washington e Berlim, mas gente perigosa que tem atacado indiscriminadamente, por todo o norte e nordeste da Tailândia, caravanas do governo, partidários amarelos e até ajuntamentos de natureza social e cultural que consideram indesejáveis.

Passei hoje em frente da sede do governo e verifiquei aquilo que aqui dissera quando estive há meses numa manifestação vermelha no Estádio Nacional. A maioria não sabe o que por lá está a fazer, foi trazida das aldeias, alimentada e vestida. Dá dó ver tanto idoso arregimentado pela cacicagem, repetindo com olhar vazio palavras de ordem sem sentido. Depois, ao chegar a casa, assisti pela televisão ao debate requerido pelos deputados vermelhos. O vice primeiro ministro, Suthep, calmo, didáctico e correcto, lá tentou explicar a posição do governo e asseverar que não lançará a policia de choque contra os manifestantes, ao contrário do que aconteceu no "Outubro sangrento", quando muitos amarelos [monárquicos] morreram e outras centenas foram feridos em brutais cargas das forças da ordem. Os deputados vermelhos - apercebi-me agora, pois já compreendo suficientemente a língua para me inteirar do que dizem - são de pobreza argumentativa digna de piedade, deles não se esperando grandes voos de erudição nas artes parlamentares. Como acontece em todas as formas decaídas de democracia, o abaixamento da qualidade dos representantes concorre para matar a reputação da democracia, oferecendo em bandeja aos seus críticos argumento para a desprezar e derrocar. O direito ao voto universal e à participação dos cidadãos é inquestionável conquista das sociedades contemporâneas. Contudo, quando a democracia se transforma em mero artifício, há que saber encontrar a forma correcta de a conjugar com o tipo de sociedade em que se instala. Percebo melhor agora aqueles que pedem o reforço da autoridade real e a existência de um parlamento que faça representar deputados eleitos por sufrágio universal e quadros especializados, aqueles que com conhecimento são os garantes do bom funcionamento do Estado e da nação.


Nada disto é novo:
Compreendo que a ignorância de jornalistas estrangeiros que jamais leram sobre a história política e institucional deste país os leve a procurar paralelismo no Ocidente. Contudo, este país sempre foi terra de liberdade, desde o remoto reinado de Ramkamhaeng. O grande monarca, para impedir os abusos de poder dos senhores feudais, decretou o acesso de todos os homens livres à pessoa do Rei ou o direito de ao soberano enviarem petições. Para o efeito, mandou instalar um gongo em frente do palácio, destinado a ecoar o pedido de qualquer súbdito. Além disso, qualquer homem ou mulher tinha o direito de parar a procissão real e gritar "isto vai agradar a Sua Majestade", posto que o Rei a recebia em mãos. Durante a presente era de Banguecoque. o gongo foi substituído por um tambor e tal direito de petição resistiu até 1932, quando o país substituíu a monarquia paternal pelo constitucionalismo. Como lembra Kukrit Pramoj(1), o mais brilhente homem de cultura tailandês do século XX, deste direito, se bem que não mais exista, ficou um profundo vínculo de afinidade entre o Rei e o povo. A velha relação entre a monarquia e o povo impediu a feudalização. A história do Sião clássico é o de uma Magna Carta ao contrário: o poder sempre foi do Rei e o povo com ele sempre esteve na luta contra o feudalismo.


Poder militar e poder civil:
Séculos volvidos, para garantir controlo sobre a sociedade, o rei Trailok dividiu a governação em duas áreas distintas: a militar e a civil. A divisão militar estava submetida à autoridade de um "primeiro-ministro militar" (Samuha Phra Kalahom) indicado pelo Rei, enquanto os assuntos civis trinham como responsável um "primeiro-ministro civil" (Samuka Nayok). Ainda hoje, o Estado faz-se representar nos grandes acontecimentos pelos membros da família real. Os ministros e os militares são apenas tidos como funcionários (instrumentos) da boa governação. Entre 1932 e 1959, os civis e militares apossaram-se da velha tradição da autoridade real e o resultado foi desastroso. Aliás, os civis, divididos e associados em facções, nunca se entenderam e proporcionaram sempre aos militares argumentos de peso para a intervenção das espadas. A Tailândia, ou será uma monarquia ou não será [Tailândia].



Poder espiritual:
No budismo não existe propriamente uma teoria do poder e das formas de governo, mas uma teoria sobre a origem histórica do poder, bem como a fórmula para o exercício do poder justo e benigno: aquele que impede a violência, aquele que congraça e partilha, aquele que protege, pune sem excesso e premeia o mérito. Tão importante como o poder profano - que deve ser entendido como a aplicação e decantação à vida comum dos ensinamentos do Iluminado - é o poder de intermediação que o Rei detém entre o mundo profano e o mundo sobrenatural, executado com apoio do Sangha, que justifica a existência da sociedade. Daí que a democracia, como nós ocidentais a entendemos - luta sem derramento de sangue entre visões distintas do homem, da sociedade e do Estado - não caiba nos parâmetros de uma mundivisão budista, que não sendo totalitária, é marcada por claro propósito de unicidade. Se a vida pública é perturbada e se os agentes políticos não conseguem encontrar o entendimento requerido por esta concepção de unidade, justifica-se o fim da perturbação. Só vendo o problema político tailandês nesta perspectiva - e não como crónica fulanizada - poderemos entender o que está em causa. Não é, pois, uma luta entre o Bem e o Mal, como alguns teimam, mas uma crescente tensão entre a anomia, o relativismo e a atomização característicos do mundo ocidental, por um lado, e a visão budista de uma sociedade fundada em valores.

(1) MANIVAT, Vilas; VAN BEECK, Steve. Kukrit Pramoj: his wit and wisdom: writtings, speeches and interviews. Bangkok: Editions Duang Kamol, 1983


เพลงเทิดพระเกียรติ

10 comentários:

Nuno Caldeira da Silva disse...

A cegueira é má para os cegos mas pior quande se pode ver. Os factos são os seguintes. A manifestação que começóu na Quita-feira é maior do que a do PAD(ler qualquer jornal em ingles ou tailandes é suficiente para saber). As pessoas não foram trazidas de caminoate e para reforçar este facto éxistem as dezenas de outras manifestações que se realizaram pelo país fora. Náo ha´comida gratuita, só Som Tam e água. Não houve nenhuma destruição da propriedade pública como o PAD fez. Não houve nenhuma violência nem armas como do tempo do PAD.Não foi roubado nenhum material de dentro da sede do governo como aconteceu antes nem sequer os jardins que custaram ao povo tailandês muitos milhõe spara serem refeitos estão sequer ocupados. Os funcionários do governo puderam entrar para exercer a sua profissão. Segundo dizes no teu post Contudo, este país sempre foi terra de liberdade, desde o remoto reinado de Ramkamhaeng, e é isso que TODA A GENTE TEM DIREITO. Desde que sejam respeitados ou outros todos tem direito a essa liberdade e muito ao contrário dos tempos do PAD onde nem o Rei era respeitado (viste muito bem como eu a fotografia de um dos guardas do PAD de pistyola em punho a atirar sobre os contra manifestantes enquanto erguia uma fotografia do Rei na outra). Até agora a UDD tem respeitado as pessoas. Claro que em manifestações na província atiraram ovos e água a membros do governo mas não é isso que se faz em bagdad, nos EEUU, em Portugal nos comícios do PAD?

Thaksin é um assassino pois mandou matar quase 3.000 pessoas durante a guerra contra a droga, e um corrupto porque se apoderou de besn de todos para proveito pessoal mas quem o quer adorar tem esse direito. E os outros? Porque é que não olhas para os enromes crimes cometidos no Sul do país, para a quantidade de pessoas que são torturadas e mortas? Para os milhões públicos que estão a ser desviados desde 2006. Queres que te apresente factos? Eles existem

A cegueira daqueles que vêm é tão má que ma faz desacreditar em tudo o que possam dizer, escrever ou pensar.

Combustões disse...

Nuno:
Eu não sou tailandês nem me quero imiscuir na política tailandesa. Não sendo tailandês, não sou nem PAD nem vermelho. Sou, como deve ser, desapaixonado pelas coisas que não me dizem respeito. Se tenho respeito pelo país, que se confunde com a monarquia e com a pessoa do Rei, sei também ver o que se esconde por detrás de tanto discurso moralizador sobre os thais e suas instituições. Como abomino a ideia de ver este país transformado numa Singapura, isto é, numa empresa, e porque a Tailândia só tem magia se permanecer diferente e não colonizada ou entregue a bandidos de negociatas, tentarei sempre compreender a origem remota das andanças da vida política e não me prender ao quotidiano dos jornais. Eu não quero factos: quero ideias. Eu não quero nomes de politiqueiros: quero integrá-los em correntes mais profundas. Aliás, estou aqui para fazer trabalho de investigação, não para fazer política num país que me acolheu de braços abertos.Se em Portugal não a faço, por que diabo violaria uma regra elementar da boa educação em casa de terceiros ?Compreender um país não é "falar com as pessoas". Como deves saber, o maior historiador das coisas da Birmânia nunca pisou solo birmanês e isso não o impede de ser o mais escutado em tudo o que à política birmanesa respeita.A ideia que as pessoas transmitem a realidade de um país é tão falaciosa como pretender conhecer Portugal por frequentar o Gambrinus ou a Ginginha do Rossio. Um país apreende-se com calma e atenção em tudo o que de morto e vivo transporta: a culinária, os monumentos, a língua, a literatura, os gestos, as palavras que se proferem e as que não se proferem. Se queremos conhecer um país, não devemos falar de mais. Devemos deixá-los falar e não precipitar desabafos. É a velha e sábia máxima dos sociólogos, dos antropólogos e até dos psicólogos. Pressionar os thais ou os portugueses, induzir-lhes temas, é falsear. Creio, até, que é um abuso de manipulação e uma deslealdade. Eu tenho pelas autoridades constituídas - quaisquer que sejam - o maior respeito e acato a lei que aqui vigora. Se em Portugal há muito que não tenho partido, aqui jamais tomaria ardores por uns e outros. Sei que tens uma posição diversa, que se manifesta em todos os escritos que leio sempre com a maior atenção e proveito. São dois estilos diferentes, sem dúvida, mas que se podem complementar. Lembro que ao longo da prolongada crise de 2008 tentei fazer sempre a ponte entre as posições de uns e outros recorrendo à crónica que sem desfalecimento mantiveste. É para isso que serve o debate. Neste particular, e ao contrário de unanimismos (medrosos ou agressivos), sou absolutamente livre de constrangimento ou até de qualquer falha no que respeita àqueles que de mim têm diferente entendimento das coisas que aqui se passam. Acho que os estrangeiros ganhariam mais em ficar calados e tentar compreender, ao invés de andarem esbaforidos a sentenciar o receituário que não sabem aplicar nos seus países de origem. Falamos muito dos thais, mas pergunto: e Portugal ? É Portugal uma das sete quintas do paraíso? O país mais respeitador da lei ? Um modelo de boa gestão económica ? O espelho da justiça no que à selecção de pessoas qualificadas respeita ? Não há máfia, nem amiguismo, nem grupos de pressão e maçonarias para todos os gostos e possibilidades ? Um impoluto Estado de direito ? Nunca houve atropelos aos cidadãos ? Lembro que há anos até um indivíduo foi decapitado numa esquadra da políca em Portugal. E a Europa ? E as repetidas consultas eleitorais a países que se recusam dobrar o joelho a essa coisa sem pés nem cabeça que é a Constituição com medo do seu próprio nome ? Isso é democracia ? Sei que alguns dizem que sim, que é, mas para mim - felizmente chegado a idade da razão - não passa de grosseira distorção.

rafael disse...

Bom dia, parabens pelo blog, eu sempre acompanho e é muito bonito o que você posta, parabens mesmo, eu sempre fui interessado nesses paises de tanta historia. Quero lhe pedir um presente, queria muito que você me falasse onde posso conseguir a musica: sobre o céu da tailandia...que bonita musica, entao queria saber como poderia acha-la ou se vc consegue me mandar....brigadão e boa sorte amigo..

Nuno Castelo-Branco disse...

O s tailandeses que se cuidem, pois a pseudo "europa/EUA quer padronizar o mundo inteiro com Balsemões, Berlusconis e Thaksins. Por mais que esperneiem, esta é a verdade e nem os tempos em que andavam de foice e martelo e faziam "revoluções culturais" com queimadas de móveis e livros, apagarão o actual conluio com o poder financeiro. Aliás, seguem perfeitamenteo "queimar de etapas" à chinesa. Coerentes, sem dúvida.

Combustões disse...

Nuno:
A ingerência é contrária às boas relações. Quem é empurrado sente-se ameaçado. A melhor forma de induzir mudanças - se é que estas são necessárias num país livre como a Tailândia - é dizer que, talvez, as coisas pudessem ser feitas de outra forma. Os asiáticos ficaram escaldados com a arrogância ocidental, que lhes entrou casa adentro armada com cartilhas de "progresso e liberdade" e os reduziu à escravatura. Os thais já uma vez se revoltaram contra esta atitude sobranceira e voltaram-se de braços abertos para os japoneses. Por outro lado, é sempre bom lembrar que a Europa (e até os EUA) já não possuem a força de outrora e que isto não funciona com políticas de canhoneira. O único erro que aponto ao NCS é o de acreditar existir uma norma universal e uma consciência global em tudo o que à fenomenologia política respeita. A verdde é que não existe e o mito de um regime planetário, mais que uma ilusão, parece só concorrer para o desnecessário atrito entre civilizações absolutamente distintas. A humanidade é una, mas os homens e os povos são diferentes. É esta, em suma, o eterno problema da chamada comunidade internacional.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Seja onde for eu só tenho um partido, um ideário e será assim na Tailândia e m Portugal ou noutro lado. Liberdade e respeito pelo ser Humano. Para mim a Declaração Huniversal dos Direitos Humanos é o guia mais importante que qualquer livro de história pois é ali que está escrito que TODOS SOMOS IGUAIS E TODOS TEMOS OS MESMOS DIREITOS E DEVERES e isso para mim está acima de tudo. Já por três vezes recusei posições governamentais em Portugal pois sabia que no diz seguinte á tomada de posse já não conseguia lá estar ao ver tamanhos compromissos só para defender interesses que não são os meus. O que me custa nos teus escritos é o desprezo que sempre manifestas por gente que labuta de enxada na mão para ter o pão no dia seguinte. Para mim só há pessoas honestas /limpas, pessoas respeitadoras dos valores que já referi ou os outros. Cor da pele religião, conta bancária, posição social diz-me muito pouco e por isso consigo conviver bem quer com o rei quer com o escravo e a todos respeito.

Por outro lado não sou capaz de colocar um pano sobre a cara daqueles que actuam como muitos aqui que se fazem passar por santos e sabes muito bem a quem me dirigo. São não santos mas assassinos como Thaksin e os factos são por demasiado conhecidos para que sejam esquecidos só que quando se olha só para um lado, como sempre queres fazer está a ser se cumplice deles e eu naõ quero. Quero dizer aos menus netos que se podem orgulhar do Avô.

Combustões disse...

Caro Nuno Caldeira:
Já uma vez tinha tentado dilucidar esse equívoco a respeito das pessoas pobres e humildes. Parece que não ficou claro, pelo que repito o que então disse. RALÉ não são nem os pobres trabalhadores nem os humildes. A ralé é uma atitude e encontro-a tanto em gente riquíssima como em gente pobre. Aliás, em Portugal, a ralé mais perigosa é aquela que tendo poder e dinheiro não soube dar o exemplo e estragou, por inteiro, a população portuguesa, antes humilde e honesta, hoje respondona, agressiva, cheia de direitos e sem sombra de deveres. Foi o que fizeram décadas de salve-se quem puder e trepadorismo a todo o custo desenvolvido pelos soixante-huitards . Foi o que fez um certo capitalismo de negociatas às costas do Estado que descurou a educação e revolveu por atacado tudo o que de essencial havia na nossa sociedade, para assim melhor poder resolver agendas de enriquecimento pessoal. O pior que podia acontecer aos tailandeses seria o de passarem a ser governados poe Azevedos e Balsemões. A gente humilde, coitada, vive do trabalho, como eu sempre vivi desde que comecei a trabalhar aos 15 anos de idade. Tenho passado a vida a trabalhar e só tenho aquilo que resulta do meu trabalho, pelo que sou, também, um trabalhador. Não tendo protector, nem partido, clube ou loja, só dependo das minhas fracas qualidades para sobreviver em atmosfera viciada pelo amiguismo.
Quanto aos direitos do homem, que são coisa respeitabilíssima, concordo em absoluto contigo.Contudo, a sua universalidade é questionável, dado terem sido elencados a partir de uma visão euro-cêntrica e outorgados à humanidade. Um chinês ou um indiano olham para os Direitos Humanos com um misto de estranheza e interesse, pois muito do que ali está é negação da sua (deles) visão do mundo e outro tanto já eles tinham proclamado dois mil anos antes dos ocidentais os inventarem. O que me indigna é a pretensão de dar lições que o Ocidente exibe na mão direita, quando na mão esquerda transporta a agenda do lucro. As coisas não são nem pretas nem brancas. É por isso que não me envolvo em políticas nem faço cruzadas. No que à Tailândia respeita, só lamento que alguns não saibam respeitar o direito colectivo deste povo em manter a sua forma de viver e os queiram empurrar para a condição de colonizados culturais de um Ocidente que pode ser tudo, mas não é, decididamente, um modelo de felicidade.Desprezo pelos thais, sim, é falar-lhes como se fala a um mainato, com paternalismo e o sorrisinho irónico no canto da boca. Essa tentação para a infantilização dos thais, que vejo em tanto ocidental, é uma boa desculpa para os intimidar, mas é, absolutamente, de uma grosseria e falta de nível que só nos deve envergonhar. Deixei de me dar com alguns farangs que aqui vivem, pois, vivendo em terra que não é deles - com ordenados 50 ou 100 vezes superiores aos thais -gerem da pior maneira complexos de superioridade neo-colonial. Lembro até um certo diplomata sul-americano nosso conhecido, que não se coibe de fazer os mais sórdidos comentários e observações a respeito das mais altas autoridades deste país, fazendo em frente de tailandeses. É o que penso e daqui ninguém me demove. Bastou-me conhecer os valentes revolucionários de 74 e 75, com os seus amanhãs cantantes, para dessa gente ficar vacinado ad eternum. Afinal, por detrás de tanto intervencionismo e generosidade havia o que sabemos hoje. Livre-se a Tailândia que um dia a versão local de tal gente tome o poder. Ontem, ao ver os vermelhos, senti o mesmoo: um mar de gente pobre e humilde empurrada manipulada pelos invejosos que têm dinheiro, muito dinheiro, mas nível algum; em suma, trabalhadores instigados por ralé.

Nuno Castelo-Branco disse...

Dizia-me um diplomata inglês na Bangkok de 1996, que um dos segredos da preservação do império português, consistira no respeito pelos usos e especificidades das potências extra-europeias com quem conviveram. Na China, os nossos representantes cumpriam escrupulosamente a etiqueta e tivemos pacificamente Macau durante quase meio milénio. Os ingleses tiveram Hong-Kong, da forma que se sabe.
Aliás, na escola de línguas que aí frequentei, tivemos um dia a visita de uma conhecida senhora da cúpula do Estado. Fui o único branco que cumpriu as regras, enquanto os orgulhosos europeus se mantiveram impassivelmente de pé. Fui convidado para o repasto que se seguiu. Eles, coitados, ficaram de fora. No fim, a simpática senhora disse-me: "conheço a vossa história e compreendo os laços que os portugueses criaram em todo o mundo".
Eu também entendi perfeitamente o que ela quis dizer.

António de Almeida disse...

Li notícias, na realidade uma nota de rodapé, de trocas de tiros numa escaramuça fronteiriça entre a Tailândia e Cambodja. Existe iminência de conflito?

Combustões disse...

Rafael
Eis o endereço: http://region2.prd.go.th/sfm/index.php?dir=%CA%BB%CD%C3%EC%B5%C3%D1%B0%B8%C3%C3%C1%B9%D9%AD%2F%E0%BE%C5%A7%BB%C5%D8%A1%E3%A8%2F
é a música nº 20