20 março 2009

20 hábitos vários tailandeses que subscrevo


1. Os estudantes, do primário à universidade, devem envergar o uniforme da sua escola, com indicação do nome e do ano que frequentam.
2. Os estudantes, do primário à universidade, são obrigados [e avaliados] a frequentar semanalmente seis horas de aulas de educação cívica e conhecer as instituições, os símbolos e história do país.
3. As crianças da primária são obrigadas diariamente a lavar os dentes, limpar as unhas e lavar-se sob supervisão dos respectivos professores.
4. Os funcionários do Estado em exercício devem trajar com uniforme com indicação do cargo e funções que ocupam.
5. Proibida a exibição pública de escritos e imagens considerados obscenos e infamantes do hino, bandeira e Chefes do Estado, nacional como estrangeiros, actuais como pretéritos.
6. Antes de sessões públicas de índole recretativa, cultural e desportiva, a assistência deve colocar-se em posição respeitosa, levantando-se para ouvir e entoar o hino nacional.
7. Às oito da manhã e seis da tarde, em todas as estações de Metro e Caminhos de Ferro, o hino nacional assinala o início e fim do dia de trabalho.
8. Proibido o acesso a museus, palácios e templos a pessoas em trajo de praia (calções, chinelas e camisolas de alças).
9. Proibido discutir política no local de trabalho.
10. Nunca falar de religião, discutir clubismos políticos e fazer afirmações de índole violenta.
11. Referir-se sempre ao Rei como Nay Luang (O Senhor dos nossos corações) ou como Senhor da vida.
12. Proibida a venda de bebidas alcoólicas a estudantes uniformizados.
13. Vedado o acesso a casas particulares a pessoas que não descalcem os sapatos que trouxeram da rua.
14. Quando se visitam amigos, oferece-lhes um ramo de flores.
15. Não levantar a voz, não esbracejar e não apontar o dedo à cara dos interlocutores.
16. Jamais colocar os pés em cima das mesas.
17. Tratar o interlocutor pelo nome e nunca pelo título. Jamais tratar alguém por tu.
18. Nunca abordar temas relacionados com a saúde e padecimentos físicos.
19. Tratar o pai por Senhor Pai e a mãe por Senhora Mãe.
20. Nunca interromper o discurso de um interlocutor, sobretudo se for idoso.
Contudo, a Tailândia é um país de gente libérrima. A educação, o respeito e autoridade nunca foram inimigos da liberdade, mas da balbúrdia.

8 comentários:

manuel gouveia disse...

A utilização do uniforme escolar esbate as diferenças sociais e aumenta o sentido de comunidade. Em Portugal incute-se logo de pequenino o fascínio pelas marcas.

Quanto a algumas das restantes regras, confesso que culturalmente teria dificuldade em aceitá-las. Mas como diz o autoritarismo está no uso que se faz das regras…

Xantipa disse...

Meu caro Miguel,
Tirando a parte de ouvir os canhões contra os quais teria de marchar, marchar, acho muito civilizados os hábitos. Os uniformes favorecem a igualdade (e as «marcas» deixariam de competir no vestuário), são mais higiénicos, etc, etc.; todas as outras são regras básicas de boa educação e sensata convivência entre as pessoas.
Um beijinho da Adriana

Nuno Castelo-Branco disse...

Aqui, havia de ser bonito...

Helena Branco disse...

Sou do tempo dos uniformes, no Carolina Michaelis as batas do primeiro e segundo anos, tinham um folhinho e um ou dois botões correspondentes.Terceiro quarto e quinto, tres quatro ou cinco botões pregados numa faixa estreita tipo laço á volta da cintura e por fim o sexto e sétimo anos os botões correspondentes.O nome e a turma apareciam também. Precisavamos urgentemente de ordem e respeito em Portugal!

Nuno Castelo-Branco disse...

Vejamos:
Na escola dr. luís Moreira de Almeida, a primária, andei de bata até aos dez anos. Na escola Preparatória General machado, tinha uma camisa verde-seco, perfeitamente identificável em toda a Lourenço marques. Quando fui para o liceu, aí começou a despesa em casa. Roupa e a vaidade da adolescência. Coisa de pouca dura, pois em 1974 tudo mudou. O Miguel que vos conte como foi. Só para aperitivo, digo que durante anos fomos vestidos com roupa usada enviada da Suécia. Por sinal, nada má.

cristina ribeiro disse...

Agora, por cá, os uniformes, que igualavam toda a gente, sem que houvesse aquela história de " a minha roupa é mais bonita do que a tua " vejo-a só nos infantários.

João Pedro Ferrão disse...

Por isso é que o Oriente é civilizado. E nós...

José Ricardo Costa disse...

Anda-se a vender por cá a serôdia e iluminista ideia de a escola ser uma "comunidade educativa". Para o ser, deveria começar por obrigar os alunos a usar o uniforme da escola. Mas isso está quieto! Lá vem a retórica da liberdade individual, do direito à diferença, do multiculturalismo. Daí a escola não passar de uma comunidade onde se vai como quem não quer a coisa. Não uma comunidade onde se está e onde se aprender a ser.
JR