12 fevereiro 2009

Os desterrados


O João, o Nuno e Medeiros Ferreira assinalam a coragem de Eanes. O país precisa tanto de uma profunda reforma económica como uma reforma política. Com os seus setenta e três anos, o general parece mais jovem e aberto à mudança que pode salvar Portugal nesta 25ª hora que muitos quarentões ainda crentes na possibilidade deste regime se emendar. Descredibilizada, sem obra nem autoridade, abeira-se a III República daquele momento fatal em que os regimes, invocando a legitimidade formal, já a perderam no coração dos cidadãos. Eanes vai mais longe: pede a restauração monárquica, sem a qual só se abre a possibilidade da instauração do caos, ou, pior, de uma qualquer tirania adamada com adereços de democracia. Confesso que já pouco leio ou me interessa o que vai pela vida pública portuguesa. Só vejo ranger de dentes, insultos, remoques, gente crispada vazando pús, maldade e agressividade, uma frustração que mobiliza o que de pior podem as pessoas segregar. O rectângulo, emparedado e sufocado, quase já fora da Europa e já sem o Mar de qualquer aventura como porta de saída, vai-se parecendo cada vez mais com os oito palmos por quatro de uma cova colectiva. Quanto tempo mais poderá resistir a esta amachucante mediocridde ? Um ano ? Dois anos ? Cinco anos ? Eu saí, abandonei, pois já não podia aguentar. Aos que ficaram restam duas escolhas diletámicas: fugir para dentro, para um qualquer jardim secreto, fingir que tudo está bem, ou exigir que as coisas mudem. Quem dará o primeiro passo ? Ou antes, quem se oferece para seguir o general ?

6 comentários:

Jose Martins disse...

Meu caro Miguel,

Eu vou-me rindo com tudo que se vai passando, politicamente, em Portugal.

Dá-me gozo de observar a mediocridade e a mentira.

Agora a dos 8 palmos por quatro de uma cova, ouvi isso quando tinha uns 22 anos de idade.

Ora, na altura, eu era motorista da Cooperativa de Ramalde. no Porto.

Das mercerias que distribuíamos, inseriam-se os sacos de carvão de bola de 15 quilos cada.

Havia,na área do Lidador (junto à estrada da circunvalação) um "sovina" rico cujo o caminho, comprido, que dava para sua casa, era estreito e o Ti Manel, carvoeiro quando levava dois sacos, um em cada mão, batia com eles no muro.

Todo chatiado o ti Manel enervava-se e: este sovina, filho da p......., não tarda que depois de tanta ganância vai ocupar 8 palmos de terra de comprimento e 4 de largura.
Abraço
Jmartins

Luis disse...

Uma alternativa temporária à restauração da monarquia seria uma ditadura benigna (o termo é do ML), à semelhança das de Salazar e Franco. Aliás, a ditadura parece-me mais fácil de instaurar do que a monarquia, mas para que seja aceitável é necessário que as coisas se tornem ainda piores do que são presentemente: talvez quando tivermos um estado latente de guerra civil semelhante à situação de violência urbana da África do Sul pós Mandela. E isso poderá não estar tão longe quanto parece: vamos aguardar e ver quais são as consequências da crise económica e financeira. Estou convicto de que, com o actual nível de moralidade existente no nosso país, elevados índices de desemprego e pobreza resultarão num aumento acentuado de criminalidade.

once disse...

exigir que as coisas mudem, sem dúvida, e não só exigir como fazer por isso. Provocar a mudança. Porque me assusta a ideia de ser internada pelos meus netos como totalmente incompetente.

Nuno Castelo-Branco disse...

Não sou tão pessimista. Se quem de direito der o tal "pontapé na porta", o país inteiro suspirará de alívio e sem sequer perder a democracia. Será como já é habitual, com danças e cantares na rua. O problema será a rápida manufactura (na China?) de milhões de novas bandeiras :)

Jose Martins disse...

Que venha a monarquia e de pronto!

Poderia ser que ainda se salvasse a história e até a nossa dignidade.

Mas se isso acontecesse Portugal não estaría isento de uma guerra civil...

A classe médias fartas de ser enganadas,pelos sucedidos governos, desde a implamtação da república, apoiariam a ideia e a instalação da monarquia, no país,porque quer queiram ou não queiram à a identidade da Nação desde que foi fundada.

Porém as classes e as lojas que existem, no escuro e na luz, fomentariam com os seus fundos a guerra e aliciavam o povo.

O Povo (sem sentido pejorativo) é com um rebanho de ovelhas se uma cai num poço as restantes vão atrás dela e ficam todas no abismo.

Num Portugal actual onde a palavra respeito foi do passado; a violência de cada dia; a pilhagem generalizada, cujo sistema judicial não conseguirá resolver nesta próxima dúzia de anos.

Não se poderá fazer prognósticos em cima daquilo que poderá acontecer, em Portugal, em futuro próximo.

Se ainda houvesse por aí um Bandarra (o sapateiro de Trancoso), talvêz pudesse advinhar o futuro que nos aguarda...
José Martins

Helena Branco disse...

O que diz Nuno Castelo Branco tem muita consistência e razoabilidade.Eu rejubilaria morrer em Monarquia! mas antes disso muitooooooo teria de se travar! Até lá a ideia das bandeiras colocadas nas janelas (dejá vu ) com uma palavra de ordem! VENDE-SE PAÍS por falta de quem o governe! talvez resultasse...