23 fevereiro 2009

O meu corno de África

Eu e os meus irmãos Ângela e Nuno há mil anos

Lembranças que o tempo levara, trazidas de novo pelo Nuno . Que delícia, em criança fui uma peste. Trancava os mainatos na dispensa e lá os deixava durante horas, cobria-me de tintura de iodo e enchia a boca de massa de tomate para simular acidentes, até chegar a ambulância e fugir a sete pés, bombardeava as casas dos vizinhos com abacates podres até ouvir a sirene da carrinha da polícia, fazia telefonemas para o restaurante do hotel pedindo lautos jantares em nome de um Marquês de Carabas, pedia ao criado Eugénio que fosse à casa ao lado pedir uma garrafa de leite de mamute - que ele, coitado e simples, lá ia pedir - e escondia-me em baixo da mesa da sala da avó durante todo o dia até entrarem em pânico com a minha volatilização. A infância é um conto de fadas. Depois, ficamos chatos e fechados, cinzentões e a fazer de conta. É a força misteriosa que nos empurra, adultos, para o sem sentido e para o cansaço de viver.

3 comentários:

cristina ribeiro disse...

Ai, Miguel, era o terror da vizinhança:) ; agora continua, e bem, a sua irreverência- outra, mas necessária.

João Amorim disse...

Diz bem, um conto de fadas. Na infância vivemos e aceitamos tudo com um sorriso, mesmo quando tudo é muito pouco. Não é só o amor, esse amor materno, rico em "vida", de que lentamente nos vamos desgarrando, é o "mundo" que nos envolve e no qual somos obrigados a viver que nos vai talhando, talhando...

Já estou a ver de onde saiu o nome Combustões...

Helena Branco disse...

A sua atitude já revelava genealidade! que veio a lume. Em crianças a inquietude nem sempre é bem entendida...

Gostamos e gastamos a sua irreverência!