04 fevereiro 2009

O bom exemplo tailandês para Portugal


Um ministro tailandês pediu ontem a demissão perante crescentes protestos pela forma como geriu a distribuição de víveres às populações afectadas pelas cheias que atormentaram o sul do país ao longo das últimas semanas. Diz-se que no tal cabaz de emergência figuravam produtos fora de prazo e que algumas rações continham carne de porco, considerada imprópria pelas populações muçulmanas das regiões afectadas. É o que se chama um pecadilho.


Se fosse entre nós não haveria explicações, resignação nem qualquer pedido de desculpas. A Tailândia está, decididamente, na vanguarda na luta contra a incompetência, posto que na erradicação do flagelo da corrupção parece estar a dar passos de gigante desde que o homiziado Thaksin abandonou o poder sob uma chuva de acusações de peculato, apropriação indevida de bens públicos, corrupção activa e passsiva, favorecimento de familiares e alienação de património público para operações destinadas a especulação. Se na Europa, fatalmente mergulhada na trama da grande corrupção e na inimputabilidade de quem governa se procedeese deste modo, cairiam ipso facto quase todos os governos da orla mediterrânica.


Qualquer político detentor de cargo público deve abandonar funções quando em seu torno se acastelam acusações relacionadas com enriquecimento indevido. Qualquer político detentor de um cargo ministerial deve dar explicações e permitir abertura de inquérito para apurar responsabilidades no mau exercício do lugar que ocupa. A Tailândia vai ainda mais longe: qualquer ministro acusado de práticas contrárias ao bem comum resigna antes de se apurar a sua responsabilidade. Clarificar, tornar transparente e assumir o erro são coisas infelizmente pouco vistas na Europa.

5 comentários:

once disse...

e a Honra Caro Miguel .. palavra desusada por aqui.

Nuno Castelo-Branco disse...

Lembras-te do caso da ponte que caiu há uns anos? Pois é..., por cá o ministro da altura, agora até teve uma grande recompensa. Na construção civil, claro!

E aquele ex-"camarada" que agora é um dos chefões da Iberdrola (espanhola)? Por coincidência, foi adjudicada a essa empresa, uma auto-estrada lá para o norte.

E podia continuar nisto até amanhã!

Nuno Caldeira da Silva disse...

100% correcto Miguel. Em Portugal a culpa morre sempre solteira como soe dizer-se. Ninguém é responsável e no fim acaba sempre sendo o vizinho. Contudo dai a dizer que o que o Ministro Witoon fez é um exemplo vai um Mundo. Porque não referes o outro Vice-Ministro, do mesmo governo, que está a ser investigado pela Comissão Eleitoral por compra de votos quando andou a distribuir dinheiro dos contribuintes com o cartão de visita agrafado. Por que é que esse não se demite seguindo o exemplo do colega. E quanto a Witoon também esta a ser investigado por fraude eleitoral por igualmente compra de votos. Hábitos antigos não se mudam tão rapidamente e a limpeza doe Abhisit não se transmite tão facilmente a quem tem vivido a vida inteira trapaceando os outros.

Combustões disse...

100% de acordo com o Nuno, pois qualquer que seja a cor política do corrupto, a justiça deve ser cega e dura. Se o ministro se demitiu, o outro, cso seja provda culpabilidade (bem mais brave que o pecadilho da carne) deve ser objecto de inquérito e eventual processo. Comprar votos não vale, mesmo que compra de votos, entre nós, seja praticada de dorma mais suave mas não menos injuriosa à democracia. Lembro as obras que se vão anunciando fazendo em período pré-eleitoral, a contratação de centos de amigos, a concessão de campos de golfe em matas e terrenos públicos e demais escândalos. Mas, repito, nisto estamos 100% em sintonia. Gangsterismo e política devem ocupar lugares diferentes: o gangsterismo no Código Penal, a política na absoluta legalidade.

Nuno Castelo-Branco disse...

Já agora, o que te parece esta chapelada eleitoral que o regime está a construir em plena AR? Vão impedir o voto aos portugueses que trabalham fora de portas. Talvez tenham deixado de interessar, pois as remessas já não chegam para tapar os buracões que o regime fez em todo o lado. Pouca vergonha!