17 fevereiro 2009

Der Untergang des Abendlandes, nova versão



Sem a grandeza faustiana de Spengler e sem o toque erudito e refinado de Paul Valéry, Fareed Zakaria oferece o quadro-diagnóstico do princípio do fim da era americana, aqui ontem apontada. Depois do triunfalismo de Francis Fukuyama, cantado sobre as ruínas do comunismo caído sem glória, chegou o tempo da crise. A crise não é do capitalismo, bem entendido, mas a crise da civilização do negócio, do homem improblemático e banal que a América quis elevar à condição de modelo antropológico de uma sociedade tecnologicamente avançada, mas privada de missão universal. Afinal, o único fardo que reclamou o império americano foi a democracia e sua evangelização. Privado de profundidade, limitou-se a entender a democracia como um credo e uma aspiração sinárquica. Um a um, os acontecimentos vieram demonstrar que essa aspiração não passava de ilusão de óptica, pois a vaga democrática, fugaz como a acne, não mais foi que acomodação ao tom dominante. Hoje, quando os EUA recuam, as pulsões autoritárias recobram posições e voltam a predominar fora do Ocidente.

3 comentários:

JNAS disse...

Postal curto mas de incomensurável sapiência e Ciência Política. Uma época sem missão e sem história é uma vida vegetativa.
Saudações Insulares
João Nuno Almeida e Sousa

cristina ribeiro disse...

Muito perspicaz.

Samuel de Paiva Pires disse...

Li-o há tempos, é de leitura fácil para qualquer interessado nestas matérias, mas extremamente certeiro, pelo menos em minha opinião. Um abraço Miguel!