28 janeiro 2009

Uma pergunta pertinente



Perguntava-me hoje um amigo tailandês por que razão não tinha Portugal um Rei. Aduziu: "vocês, que tiveram o mais longo império, os primeiros e os últimos a abandonar as possessões que tinham em África, na América, na Ásia e na Oceania, gente tão orgulhosa do passado grandioso que tiveram, país tão pequeno que tem uma das línguas mais falados no mundo, que..., que..., que....". Assim se prolongou em perífrase demonstrativa do interesse que lhe suscita o nosso país. Fiquei encantado por assistir a tal lição até que, para terminar, deixou a seguinte observação: "bem, se países tão ricos e progressivos como o Reino Unido, a Holanda, a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, o Luxemburgo, o Japão e até a Espanha preservaram as suas monarquias, Portugal talvez a tenha perdido porque perdeu a razão e se esqueceu do que fora". Não encontrei palavras para lhe dizer que assim fora, que um grupo insignificante de pistoleiros e gente mesquinha e medíocre nos havia morto o Rei em plena rua, que desde 1910 Portugal se tinha, primeiro mexicanizado, depois cloroformizado e agora não sabia o que fazer com o futuro. Senti vergonha, confesso, por um siamês nos olhar como uma Albânia, uma Guiné Papua ou uma República Dominicana. Mas tinha razão. Deixámos que se perdesse o arrimo fundamental da autenticidade portuguesa, substituímo-lo por generais sem batalhas, almirantes sem frota, pequenos plumitivos sem obra, agitadores e homenzinhos escolhidos por paixão partidária, impostos pelas espadas ou sorteados por grupos, camarilhas e facções. Perdemos tudo, não ganhámos nada. E não somos só nós: os gregos, os romenos, os húngaros e os búlgaros queixam-se do mesmo. É fácil destruir as monarquias, mas depois fica para todo o sempre o remorso, o vazio e o sem sentido de toda uma comunidade.

5 comentários:

cristina ribeiro disse...

As tais lágrimas de uma Nação que já teve tantos motivos de orgulho, Miguel...

joshua disse...

Acredito numa luta feroz baseada na Razão para reverter a nossa dissolução indentitária e o nosso brio profundo nestes cem anos estúpidos, Miguel.

adsensum disse...

Miguel, boa noite.
1. Apurada a farta panóplia de malefícios resultantes do sistema de governo vigente no nosso país e revelado (e generalizado, creio)que está tanto descontentamento, brilhará ainda uma luz ao fundo do túnel (ainda que ténue) para quem acredita na possibilidade de uma governação mais séria e limpa?
2. Valerá a pena reflectir sobre onde começa e onde acaba a razão do Miguel e a de quem, ao lê-lo, com o teor das suas palavras se identifica? E onde faz essa razão fronteira com o saudosismo quiçá também tão motivador da esperança que carregamos num renovado "arrimo fundamental da autenticidade portuguesa"?
3.Ou desistiremos - sem disso nos darmos conta - e o próprio sentimento de vazio a que se refere esvair-se-á paulatinamente?

Ricardo Gomes da Silva disse...

Bom post

A republica até tem as suas vantagens...assim cada um trata da sua vidinha sem pensar no bem comum.
Talvez quando formos verdadeiramente pobres (de espirito e dinheiro) olhemos com outros olhos para o que perdemos

Caro Miguel, tomei a liberdade de publicar o seu post aqui:
http://www.somosportugueses.com/modules/news/article.php?storyid=1544

abraço

bem haja

filomeno2006 disse...

Se desea lo que no se tiene: en España, muchas personas desearían que fuera una República.......