23 janeiro 2009

Obrigação a que não nos podemos furtar


Cumprem-se esta semana 150 anos sobre a assinatura do primeiro tratado de amizade e comércio entre Portugal e o Sião da era Banguecoque (1859). A dois anos das esperadas comemorações evocativas da primeira embaixada enviada por Afonso de Albuquerque ao Sião (1511), espero com ansiedade que os dois governos se resolvam, finalmente, a aplicar um programa à altura do significado de tais relações, as mais antigas e ininterruptas entre uma nação europeia e um Estado asiático. (MCB)


"No segundo mês (Fevereiro de 1859) o Rei de Portugal enviou Isidoro Francisco Guimarães, governador de Macau, para vir ao Sião como seu embaixador, com José Maria da Fonseca como vice-embaixador e Sìsùkoomeewáruuprassù [Francisco de Mello Baracho] como terceiro enviado, todos acompanhados de outros nobres portugueses.

Chegaram a bordo de um vaso chamado Mongdikoo [Mondêgo]. O comandante do navio era Triikonggarii [José Severo Tavares ?].

(...) O Rei ordenou que os enviados portugueses fossem recebidos e trazidos para Banguecoque. (...) Foram hospedados no edifício de tijolo destinados a visitantes estrangeiros, o qual se situa no canal phadung krungsaseem.

(...) O Rei recebeu-os no dusidmahaapraasaad (sala do trono do palácio real) e estes ofereceram-lhe um samovar de prata, uma grande carpete, duas cenas de batalhas emolduradas, um livro sobre a Rússia, uma caixa contendo perfumes, um telescópio e duas caixas de frutas cristalizadas. Outras ofertas destinadas ao Rei Phrapinklao [Phrabat Somdet Phra Pinklao Chao Yuhua, segundo rei de Rama IV] incluíam um samovar de prata, um par de molduras, uma caixa de perfumes, binóculos, um óculo e duas caixas de licores doçes (1)

(...) O Rei indicou o comité para o representar (...). O tratado consistia em vinte e sete artigos. No dia da assinatura do Tratado e aposição dos sêlos, vinte e uma salvas foram disparadas no forte Widchajeentharáprasàd e o vaso de guerra português [que estava fundeando em frente do palácio] correspondeu à saudação com vinte e uma salvas."

in: CHAOPHRAYA THIPHAKORAWONG. The dynastic chronicles. Bangkok era, the Fourth Reign, BE 2394-2411 (AD 1851-1868). Tokyo: The Centre for East Asian Cultural Studies, 1966, pp. 197-199

Chók dee, thii ráw mii Nay Luang = Grande sorte por termos Rei

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