14 janeiro 2009

Thaksin amnistiado ?


O Nuno acaba de transmitir algo que estava a ser ventilado como solução para encerrar a prolongada crise em que viveu imersa a Tailândia. Sobre isto já tínhamos falado e concordado: há que enterrar bem fundo a crispação, dar o benefício da dúvida, evitar a vingança sobre os derrotados, tratá-los com dignidade. Parece, decididamente, que o bom senso triunfa e a Tailândia demonstra a benignidade da sua cultura política e carácter cultural. No passado, os reis siameses eram conhecidos pela magnanimidade com que tratavam os proscritos, os inimigos derrotados e os dissidentes. O caso de Thaksin não é o primeiro nem será o último. Sempre que o seu nome é referido, ocorre-me o nome do Príncipe Prisdang (lê-se Prissadang), meio-irmão de Rama V (Chulalongkorn), que depois de muitas viagens diplomáticas pelo Ocidente quis ver um Sião constitucional e acabou homiziado no Ceilão como monge. Voltou muitos anos depois e foi perdoado e reabsorvido pela corte. As monarquias têm o dom de perdoar e sobre todos estender a capa protectora. À mudra do Buda magnânimo chama-se Abhaya. Hoje, se se confirmam os rumores, Thaksin deporá aos pés do Buda Abhaya o incenso e as flores e sentir-se-á livre para retornar ao seio dos seus. Isto seria impensável no Ocidente, que sempre cultivou a vingança como corolário da luta política: quem ganha tem direito a esmagar o vencido, transformá-lo em cabeça de turco, diabolizá-lo e enjaulá-lo para gáudio dos vitoriosos. Aqui funciona uma outra psicologia política: quem vence só tem o dever de perdoar. Thaksin é um homem com grandes qualidades e muitos defeitos. A prová-lo, o ódio e o amor que muitos lhe tributam. Talvez, quem sabe, venha a ser de novo no futuro um grande empresário e até tenha revisto [e compreendido] a falta que um Rei faz a esta politéia. Numa república, Thaksin passaria o resto da sua vida exilado ou seria, até, abatido. Aqui acaba por triunfar o ethos budista. Excelente lição.

1 comentário:

Gi disse...

Por outro lado... Se fosse aqui não estaríamos a protestar que mais uma vez a culpa morreu solteira?