12 janeiro 2009

A Tailândia é uma cozinha


Com a crise sanada, arrumadas as armas e a normalidade a instalar-se, vejo turistas por todo o lado. Passou o choque da ocupação do aeroporto, os europeus congestionam-se nos guichets das chegadas internacionais, os táxis e tuk tuk andam numa rodaviva transportando forasteiros carregados de sacos de compras. Os pequenos hotéis da minha vizinhança estão lotados, como lotados estão os restaurantes para todos os bolsos e paladares. Após cinco dias de febre, apeteceu-me sair e passar o domingo entregue ao dolce fare niente. Para quebrar o jejum imposto pelo "incidente clínico", aqui vos deixo a relação das iguarias do dia de ontem.

Pequeno almoço tardio. Entrada: Meang kam, receita que data do primeiro reinado da actual dinastia. Folha de betel guarnecida com gengibre picado, cebolinha vermelha picada, amendoim, camarão seco, lima, massa de coco seco e molho agridoce.







Prato: Khao na moo, porco frito com arroz japonês, ovo e cebolinha.

Almoço (muito tardio): Como entrada, Kung wan, camarão seco agridoce, servido frio. Seguiu-se uma japonesice siamezada: Yakisoba (massa japonesa com algas e soja), acompanhado por shushi e pastéis de carne com molho de salmão. A acompanhar, um caldo misui.

Jantar (tardíssimo). Começo por um "set" de hamburguer japonês, acompanhado de legumes fritos em manteiga, arroz, salada e kim ji.

Como sobremesa, rotee, um doce muçulmano do sul da Tailândia: ovos, açúcar e leite condensado.

Fiz contas ao fim do dia. As três refeições custaram-me 420 bath, ou seja 9 Euro. Barato, não ?

8 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Por um dia de refeições como estas, no All-Garve pagarias uma pequena fortuna. Quem me dera estar aí...

once disse...

Barato, com aspecto delicioso, fruto da minúcia e dedicação que essa cozinha exige ..

Já se percebeu o laivo de inveja? ;) claro que sim.

cristina ribeiro disse...

Eu até lanchei, mas...

João Amorim disse...

caríssimo Miguel

Parece que a febre não lhe provocou qualquer mal. Ler esta "carta" mesmo antes do jantar abriu-me o apetite e a "marcha" de Richard Tauber já marca o ritmo dos talheres...

Joao Quaresma disse...

9 euros... Isto lembra-me um australiano que vivia na Indonésia, e que toda os dias usava uma camisa nova, que depois deitava fora: saía mais barato do que mandar lavar no hotel. Depois, com problemas de consciência, parou com isso e passou a usar as camisas mais do que uma vez.

Samuel de Paiva Pires disse...

Que inveja :p)

JNAS disse...

...
Aqui no meio do Atlântico, às 8 da matina, um festim desses é um luxo !
...
Se possível gostaria de saber se a folha de betel é ou não utilizada para mascar e se é ou não substância similar à canábis ou outra qualquer. O dicionário que tenho à mão (o da Academia das Ciências de Lisboa) é omisso quanto à folha de betel. Recordo uma referência recorrente que julgo constar do livro "Os filhos da Meia-Noite" do Salman Rushdie mas não retive se o uso da planta tinha qualquer similitude com o uso de qualquer substância activa cadastrada no Ocidente como estupefaciente. Fica a interrogação e a fome perante tão lauto menu.
JNAS

Combustões disse...

JNAS
Há dois tipos de betel: um para mascar, que foi proibido em meados do século XX, tamanhos eram os males que provocava; e outro, para utilização culinária, já muito raro, mas que ainda se pode encontrar em alguns mercados.