17 janeiro 2009

Salvatori mundi


A necessidade da crença é património psicológico dos homens. Hoje, finalmente recuperado, passeei pela grande livraria do Paragon e verifiquei quão alta é a expectativa em torno do novo imperador norte-americano. São dezenas os títulos sobre uma figura até há pouco tempo quase desconhecida dos norte-americanos e do mundo: cartas, entrevistas, biografias, panegíricos, memórias, iconografia inundam os escaparates. Vai ser, a partir da próxima semana, o mais poderoso dos líderes mundiais. Contudo, os Estados não são os homens. Obama poderá fazer lifting e cirurgia localizada, mas não pode mudar os grandes vectores que condicionam, interna e externamente, o comportamento dos EUA. Talvez, quem sabe, daqui a meia dúzia de meses terá de decretar uma qualquer guerra localizada, uma expedição punitiva, um bombardeamento. Nessa altura, pela enésima vez, os sempre felizes goliardos do "novo homem" cobrirão os muros de dichotes OBAMA GO HOME e OBAMA CRIMINAL, dedicados àquele que é aguardado como o salvatori mundi.


Ele é a nossa glória (1938)

3 comentários:

cristina ribeiro disse...

Por cá, Miguel, vai a mesma mesma hemorragia bibliográfica: uma ida à livraria e encontrar a cara do homem omnipresente.

Daniela Major disse...

quando nos encontramos à beira do "abismo" procuramos sempre alguém que nos puxe para trás. A História mostra-nos isso. Por vezes, agarramo-nos aos piores que o Mundo já viu mas outras vezes temos sorte. Espero que dest vez seja daquelas em que somos sortudos.

Jose Martins disse...

Ser presidente dos Estados Unidos é muito complicado! Um homem só não consegue poder mandar em tantos governadores de outros tantos estados. Está no cargo porque alguém terá que pegar nele...Porém não vão haver mudanças nenhumas no estilo de vida americano no futuro. Ele Obama bem sabe disso! Não deixa de ser um homem activo, inteligente e claro está ambicioso! Uma componente do ser huamno alimentar as suas ambiçãos e até as vaidades.Os Estados Unidos, evidentemente, que vão continuar a fazer as guerras do mundo. Aquela máquina, industrial, poderosa de construir bombas, balas, aviões,barcos de guerra não pode parar e mandar para o desemprego centenas de milhares de pessoas. Igualmente centenas de milhares de oficiais e soldados espalhados pelos vários continentes do Globo. É a opulente américa que mesmo com a economia em franjas esta poder-se-á recompor e só colocar, as máquinas com mais velocidade para imprimir notas de dólares (mesmo sem reserva de ouro)e expedi-las para o exterior.
São os Estados Unidos da Coca Cola, das Macs (de todos os tamanhos), das Pizas, da galinha frita e o fazedor de guerras do mundo, quando os stocks de material de matar gente estão super lotados, é necessário vender essa mercadoria a curto ou a longo prazo o pagamento.