30 janeiro 2009

Pereiras de Brito, Leitões Cabrita, Pachecos da Costa & etc


Eu não sou leitor de jornais, confesso. Faço-o, contrafeito, pela manhã - nunca mais de dez minutos - entre uma taça de café amargo e uma tosta de ovo mexido. Os jornais só me interessam se tiverem mais de cem anos, bem amarelinhos, traçados e encadernados por atacado. A leitura dos jornais de politiquice coloca-me as mesmas dificuldades que jornais de 1893 ou 1902.


Todos aqueles ministros pereiras, silvas, deputados pachecos, ambrósios e justinos, eurodeputados manuéis, flávias e cátias, mais opinativos cabritas, coelhos e leitões fazem parte de um mundo que desconheço. Se há tanto para ler, perder tempo com ignotas inteligências em expansão debitativa parece-me coisa inútil, sobretudo se o tema for a pequena trama de fulanismo, paixão de mandar e "prótagonismo" (sic Jaime Gama) cujo traço se esvai mais rápido que um fulminante.


Hoje tive grande dificuldade em ligar os nomes às coisas ao tentar informar-me sobre a luta de batidores que se trava no PSD. Se não deixa de ser pertinente perguntar o que é o PSD - um partido que nunca existiu ideologicamente, que muda em função do mercado de opiniões - mais difícil será encontrar o motivo que leva o país a perder tempo com pessoas que impunemente se apresentam como Paulos na Estrada de Damasco. Há anos, fez-se campanha promocional pelo "novo Cavaco", na iminência do 70º ou 89º congresso. Durante semanas, pontual como o quartzo, lá surgia o candidato a líder salvador, um homem redondo e aborrecido com a capacidade de expressão de um boião de iogurte, apresentado como "gestor de sucesso" - como se o facto de ser gestor o libertasse da prestação de provas. Depois, como falhou em telegenia, desapareceu e voltou aos negócios. É assim o PSD.

Daquela mole de notoriedades, só me ocorrem dois ou três nomes: Paulo Rangel, Vasco Graça Moura e Assunção Esteves, que fariam carreira pelas próprias pernas onde quer que estivessem. O resto, serve para encher páginas de papel.

3 comentários:

JOY disse...

È este o grande problema dos Politicos em Portugal , não nos dizem nada, são previsiveis nas declarações e nas accções que tomam, e incapazes de gerao confiança e credebilidade. Quem a tem Foge a sete pés deste circo.

Um abraço
Joy

Nuno Castelo-Branco disse...

... e é por isso mesmo que urge reformar o Parlamento, com a drástica redução do número de deputados. Melhor pagos e espera-se, beneficiando da selecção natural O argumento que quer fazer crer na "impossibilidade" do funcionamento das comissões parlamentares num hemiciclo com 100 deputados, não vinga. Alguém, mesmo em pleno delírio, poderá imaginar que aquela catrefada de nulidades poderá assumir os assuntos de qualquer Comissão, a não ser a da Limpeza de Vestiários?
A prova disto consiste no simples facto de os pequenos partidos - o CDS e o BE - terem os melhores grupos parlamentares.

cristina ribeiro disse...

Sem tirar nem pôr!...