26 janeiro 2009

O tempo da frioleira


"Como bem o saberás, o que está na moda e na prática é ser-se "politicamente correcto!". Os fogos verbais (do pensamento do Liberalismo e da I República) esgotaram-se e a criatividade passou-se para o lado dos desmiolados, dos analfabetos encartados com um diploma, dos destemperados, dos abusadores e dos oportunistas. (...) Arranjaram um novo tipo de escrita que tem como suportes a frioleira e o rendilhar da prosa. É a Europa em festa."

(Carta de um amigo)


Tem este blogue um contingente de bons e leais leitores. Serão cerca de trezentos - como os Espartanos de Leónidas - aqueles que diariamente seguem as andanças (e atrevimentos) de Combustões. Não são muitos, poucos também não o são. Estimo tratar-se de uma maioria de razão e sentimento portugueses, indiferente às coisinhas e bagatelas do não-pensamento, da anti-cultura, do ideologismo estreito e da xenomania para todos os gostos, da esquerda encavalitada nos textos de Oitocentos à direita à procura de pais espirituais nas bancas do extremismo anos 30, nas vulgatas de um liberalismo só aplicável aos EUA ou de um vago centrismo sem local, sem rosto e sem cérebro.
Há quem deteste e julgue tratar-se de inútil arremetida contra moínhos de vento. Há quem o julgue dispensável, pois não faz serviço a ninguém, não bajula, não faz parte de grupos, não busca lugar algum e, absurdo dos absurdos, não recorre ao insulto pessoal próprio da politiquice canalha, do bota abaixo e do quanto pior melhor. Assim ficará até ao fim, para bem dos Trezentos de Leónidas, para mal dos analfabetos encartados com um diploma, dos destemperados, dos abusadores e dos oportunistas.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Subscrevo integralmente o desabafo.