16 janeiro 2009

O herói


"Quando fores grande não vais à guerra porque esta guerra vamos vencê-la" (Daniel Roxo, 1969, a uma criança portuguesa africana).
Invoco aqui também exemplos outros de "militares não profissionais" que abalam até à base a ideia do "profissional das 9 às 5": Marcelino da Mata e D. Francisco de Bragança van Uden. Como cantava a Cilinha num fado hoje proscrito, "em torno da bandeira não há praças nem galões, mas só soldados de Portugal".
Para os nossos jovens, intoxicados com essa porcaria humana que dava pelo nome de Che, Roxo foi um verdadeiro exemplo de combatente e símbolo de tudo por que lutávamos. Homem humilde, com a 4ª classe, foi mais general que muitos que não ousaram defender Portugal quando este mais precisava. Mas morreu bem, na terra africana que amava. Só me angustia saber se a mulher negra com quem casou e a criança que deixou foram algum dia apoiados pelo Estado Português. Continuo a acreditar que a mais nobre maneira de se morrer é pela pátria. E daqui não saio. Sei que para muitos isto é chinês !

7 comentários:

cristina ribeiro disse...

E se João Amorim não conhece filmes nem documentários sobre o Sargento, hoje foi a primeira vez que nele ouvi falar- tanta coisa por saber do nosso passado recente.

Combustões disse...

Querida Cristina
Para os nossos jovens, intoxicados com essa porcaria humana que dava pelo nome de Che, Roxo era um verdadeiro combatente e símbolo de tudo por que lutávamos. Homem humilde, com a 4ª classe, foi mais general que muitos que não ousaram defender Portugal quando este mais precisava.

Luis Serpa disse...

O zeitgeist é pacifista, Miguel, e contra isso pouco há a fazer. Ou talvez seja ao contrário, talvez haja, e muito - é mais necessário e importante remar contra a corrente do que ir com ela. Há muitos anos que não ouvia o nome de Daniel Roxo (creio que desde a minha adolescência, em Moçambique).

Isto dito, conheço uma das pessoas que apresenta como exemplo do "militar não profissional" - e é isso mesmo: um exemplo. Não é, de forma alguma, a norma.

Já fui mais intolerantemente contra o SMO do que sou hoje - mas suponho que mais devido aos méritos da idade do que aos do serviço obrigatório. Os homens não são, na sua grande maioria, heróis; e os pacifistas, objectores de consciência e afins provocam mais problemas num exército do que os que resolvem. Acho que deve reservar-se o serviço militar para quem o quer fazer, ficando o SMO para tempos de guerra.

Luis disse...

Eu só não amo a pátria porque não sei o que é: será a Assembleia da República ou o Governo ou as nossas classes económica e política ou a nossa plebe? Mas lembro-me de gostar das pessoas humildes da minha aldeia, gente pobre mas honesta e autênticos aristocratas. Contudo estes desapareceram todos talvez não tanto por causa do 25 de Abril mas principalmente com a entrada na UE, cujo dinheiro comprou a alma dos portugueses.

Nuno Castelo-Branco disse...

E foi a MIM que ele disse isso. estou mesmo a ficar velho. Ainda me lembro do jeep parado no recreio da escola, a hora do lanche às 10 e o Roxo a conversar connosco. E por acaso, fisicamente ele até tinha algum em comum com o D. Francisco.

Nuno Castelo-Branco disse...

... dizia, "algo em comum". Isto de não corrigir os textos...

Francisco Frazao Calejo disse...

Lembro-me do ter visto umas duas vezes,em Lourenço Marques,era amigo e conterrâneo de meu pai de Mogadouro.A historia da ida de roxo para África deve-se à amizade que tinha com meu pai.Homens que lutem pela Pátria como este não existe´.É triste que nimguem se lembre de lhe erguer uma estátua ou coisa parecida.Como viajo muito e percorro o país,falo muitas vezes no Comandante Roxo,deliro e tremo de emoção por ter estado ao lado dele o pouco tempo que estive,olho para meu pai e vejo Roxo,olho para o Comandante Roxo vejo o meu pai.É bom sempre encontrar alguem que tenha conhecido o Com.Roxo,tenho encontrado muita gente no Algarve que o conhecia e toda a gente diz o mesmo"GRANDE HOMEM".