14 janeiro 2009

Mais caridade, menos "políticas sociais"



SM o Rei deu ordens expressas para que todas as crianças pobres da Tailândia recebessem hoje, nas escolas primárias e secundárias, uma camisola e uma manta que lhes garantam protecção contra as temperaturas frias que se têm feito sentir nos últimos dias. Eu, que sou mais pela caridade, acto de oferta e partilha sentida que nasce da generosidade e da responsabilidade individual, compreendo o apelo do monarca. Logo, as fábricas ofereceram dois milhões de agasalhos. Não se esperou por uma reunião extraordinária do Executivo, nem pela demorada discussão sobre as verbas a afectar ao OGE, nem houve debate parlamentar, muito menos saíram a terreiro sociólogos de serviço e outros especialistas nas dores alheias. O Rei ordenou e na manhã seguinte o exército cumpriu: os industriais foram contactados, as escolas reuniram as crianças transidas de frio e num ápice estavam vestidas e resguardadas. O Rei é visto como pai e protector. É por isso que me atrai o poder personalizado, com rosto e coração. Há quem não goste dos pobres e os matematize e transforme em estatísticas. O Rei mostrou que a caridade, mais que as "políticas sociais" - eufemismo para burocratas frios a brincarem aos deuses - é a resposta para as urgências.

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Hoje em dia, a palavra caridade reveste-se do politicamente correcto termo de solidariedade. Apenas isso. Segurança social é uma coisa totalmente diferente. Sempre gostava de saber como Portugal reagiria a um discurso semelhante vindo de Belém

José M. Barbosa disse...

Exactamente !

JMB

once disse...

eu acredito Nuno, que Portugal reagisse da mesma forma. Tal como reagiu ao apelo para a construção da ala pediátrica no Hospital de Santa Maria .. o que eu não vejo acontecer é um apelo destes, assim sincero, honesto e preocupado, vindo dos nossos governantes.

Miguel, há muito que o acompanho, é grato poder agora comentar a sua brilhante e actualissima escrita.

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