13 janeiro 2009

É crime desprezar o futebol ?


Caramba, estive a estudar até tarde e quando abro a caixa de correio electrónico recebo vinte e dois indignados, afrontados, iracundos exigindo desculpas. Não as dou, claro, pois haveria ofensa se estivessemos a tratar de matéria nobre. Mas não - repito - o futebol é coisa insignificante e tola, com a agravante de ser escola de crime, corrupção, alienação, atraso mental e factor de perturbação, fora e dentro dos estádios. É um jogo, porventura paupérrimo, e não lhe vejo arte alguma. O assunto "futebol" está encerrado, pois disso não quero saber, não me interessa, evito e até finjo que não existe.
Nunca li nenhum desses portentos que são os jornais dos futebóis - é deveras espantoso como sobre coisa sem substância se pode escrever tanto - fui meia dúzia de vezes empurrado para assistir a jogos e até adormeci, tamanho o interesse que a coisa me inspirou.
Não compreendo, simplesmente, o que anda à solta na cabeça e coração dos "torcedores" e de que "mística" falam, não sei o que é "atirar a toalha para o chão", nem o que é "ganhar o jogo nos balneários" ou uma "chicotada psicológica". Tento decifrar, em vão, o discurso de dirigentes, treinadores, jogadores e fãs, naquelas noitadas até às três e quatro da manhã em que uns senhores sem o sentido do ridículo, velhos e gordos, falam de coisa que não existe com enlevo de crianças. Vê-los com aqueles cachecóis, as bandeiras, os apitos, os bombos, hurrando e guinchando, fazendo gestos, levando as mãos à cabeça, eufóricos ou despedaçados, tudo fica áquem da minha capacidade para entender essa festa. Um fim de semana de cãibras estomacais, seguidas de três dias a discutir o que se passou num estádio, seguidos de três dias discutindo o que vai acontecer no próximo domingo num outro estádio. Piada ? Nenhuma.
Aos fanáticos dessa coisa só lhes posso recomendar: se a vida é tão curta e há tanta coisa interessante para conhecer- tantos livros, tantos quadros, tantas fitas e tanta música - por que razão malbarateiam as meninges com tal voyeurismo ? Se ao menos os fanáticos da bola fossem desportistas, ainda lhes recomendaria uma piscina, um ginásio, uma pista de corrida ou de obstáculos. Mas não, os religiosos da bola não cultivam a força, não têm flexibilidade nem coordenação motora. O principal combustível da religião da bola é a cerveja - essa bebida intragável com sabor a baratas - pelo que a forma dos seus fãs oa vai aproximando lentamente do esférico. Porque será ?

7 comentários:

Margarida Pereira disse...

Ora lá ia eu, deliciadíssima, a arregalar o coração, como é hábito com estes textos de tão longe (e outros, sanguinariamente rasantes, geograficamente mais acessíveis e de uma similitude inequívoca) e a pensar: “é isto! é isto!” e catrapimba! Estatelo-me redonda, exangue, na cerveja!
O quêêêêê????? …”bebida intragável com sabor a baratas”?!
Ó Miguel!!! Esta está quase a par da história das barbatanas dos esqualos…
Mas que beberragens provou até hoje!? Nã…, urge emendar esse tremendo equívoco!
De volta ao torrão, há-de fazer-me o favor de provar duas maravilhas: Super Bock Stout (preta) e Super Bock Abadia (d’oiro real…).
E não, não sou accionista da Unicer…
Quanto à mística e quejandos que rodeiam as coisas do ‘esférico’, não podia estar mais de acordo…
Já agora, vou ali beber um retemperador trago d’Abadia em sua honra.
Com este frio, veja lá! O que não faço para o convencer…
Cheers!

Joao Quaresma disse...

Como diria o Prof. Martelo, está correcto na essência mas errou na forma. Mas tudo bem. Eu também tenho, de vez em quando, vontade de esmurrar todo um grupo social, só porque sim.

Compreendo tudo e concordo em grande parte com o que diz. Mas não julguemos nem animalizemos aqueles que têm gostos contrários. Se tratarmos assim os muitos milhões que gostam de futebol (para já não falar nos que bebem essa bebida intragável com sabor a barata), que diremos então dos poucos milhares que gostam de cinema francês (RIP, Claude Berri)?

Uma coisa são os totalitários que usam o futebol para os seus fins; outra é o povo atrasado que se deixar levar na carneirada. É preciso acordar os segundos para a realidade dos primeiros, e desqualificá-los não ajuda a esse fim.

adsensum disse...

Que peremptório que foi em relação à "bola"! Eheheh! Sem dúvida, Miguel. Como eu o compreendo...

Nuno Castelo-Branco disse...

Super Bock... até na cerveja existe o bairrismo. Não posso opinar, porque também é bebida que não me agrada. faz azia.

O que eu ri ao ler este post, ehehehehe, lembro-me logo das nossas conversas!

Hugo disse...

Este post é um absurdo,vindo de alguém que se julga superior aos outros e resolve opinar sobre eles.
Continue lá nos seus livros para não dizer asneiras

Margarida Pereira disse...

Nuno! Essa 'boca' é uma bela 'pincelada'!
Mas não, asseguro-lhe, não é bairrismo. É (bom ) gosto, mesmo.
E qual azia, qual carapuça!
Uniram-se contra uma das bebidas mais antigas da humanidade, é o que é...
Beijinho, seu ranzinza...

Combustões disse...

Obrigado, caro Hugo, por acertar com pontaria. De facto, os livros e o futebol povoam universos diferentes.