21 janeiro 2009

Comer na Chinatown de Banguecoque

Fazem-se já grandes preparativos para o ano novo lunar chinês, que ocorrerá este ano no próximo dia 25. Resolvi, pois, na companhia de um amigo chegado de Portugal, ir a Yaowarat (เยาวราช) bairro chinês de Banguecoque e lugar de peregrinação para os apreciadores de gastronomia sino-tailandesa. Como o movimento não cessa até às cinco da manhã, há quem ali também vá adqurir chá e fruta em lojas pertencentes à poderosa minoria chinesa. O bairro existe desde o século XIX e os chineses, mesmo que bem integrados nesta sociedade - que sempre foi multiétnica e multicultural - persistem em dar uma ambiência vincadamente chinesa às ruas, com o característico formigueiro da actividade, as incessantes cargas e descargas e, claro, o gosto pela comida. Dir-se-ia, em Yaowarat, que a China, com a sua persistente e vincada identidade, possuiu o exclusivo de se reproduzir fora do seu berço com tal naturalidade que parece assim ter sido sempre. Contudo, os chineses nem sempre foram bem recebidos neste país. Até aos anos 50, o chinês era um súbdito olhado de soslaio, um invasor cultural com tal desenvoltura que despertou apreensão de gerações de governantes. No início do século XX, tantos eram os chineses em Banguecoque que se suspendeu a abertura do regime autocrático e a sua inevitável evolução para um sistema representativo por medo da influência eleitoral que tal minoria poderia deter numa câmara de deputados. Nos anos 30, finalmente nacionalizados, aculturados e assimilados, os chineses diluíram-se no corpo social e converteram-se em leais cidadãos, ocupando hoje relevantes posições na vida económica e financeira, académica, cultural e política do país.

O jantar começou com um Kra-praw-pla, uma deliciosa sopa de estômago de peixe, com cogumelos chineses e caranguejo moído.

Seguiu-se um ped-yang, pato assado à moda chinesa, com gengibre, nabo chinês e molho de soja.

Como a fome apertava, veio um koy-jo, um bolo de caranguejo frito, servido com vegetais e molho agridoce. Para terminar, uma sobremesa ligeira, sem açúcar: o tao-huy-yen, gelatina de soja verde coberta de pêssegos e ananás. O acompanhamento foi feito com chá verde frio. Feitas as contas, pagámos 440 Bath, ou seja, 10 Euro.