28 janeiro 2009

Ano novo lunar com superstição e sabor português / เทศกาลตรุษจีนที่กรุงเทพมหานคร


Até 1932, quando aqui eclodiu a revolução constitucional, os tailandeses regiam-se por quatro calendários: o da era budista, o da era cristã, o ano lunar chinês e reinado do monarca em exercício. Hoje, limitam-se a contar o tempo pelo passamento do Iluminado (2552), pelo ano chinês e pela era cristã (2009).

Os últimos dias têm sido de festa pela entrada do ano do boi. A comunidade chinesa, já muito assimilada, faz os possíveis para manter a tradição, mas dizem-me os mais velhos que dentro de duas gerações pouco restará, porquanto os mais novos, totalmente desinteressados das suas raízes ancestrais, se limitam a festejar pelo prazer de quebrar a normalidade, como o fazem com o dia dos namorados, o Natal e outras festividades onde a dimensão comercial parece dominar.


Como manda o costume, fui a uma cartomante pedir contas ao futuro. A cartomante disse-me o que queria ouvir, pintalgou-o com romance, dinheiro, saúde e sucesso. Perguntei-lhe tudo o que queria. A pequena deusa com ares de procuradora do destino, asseverou-me que seria um ano cheio de dinheiro, boas notícias, uma viagem longa e um inesperado convite. Convite para quê ? Ahhhh, não sei, um convite. Pois, a viagem sei que a farei para visitar a família e o convite poderá limitar-se a um café pago por um amigo. Já não tenho ambições. Se me dissesse que me convidariam para ministro, fugia já para o Camboja ou para o Butão, recolhia-me a um templo e esperaria que se dissipasse o mau agoiro.


A grande manobradora em plena perscrutação do meu futuro. Acertou em tudo, não acertou em nada, pois tudo está por acontecer.


A conjugação do tarot. Poucos problemas, com a justiça e o imperador a velarem pela minha pálida estrela de exilado voluntário.

Para me libertar das estrelas e da sorte, acabei o dia a comer um frango à piri-piri num restaurante perto de minha casa, propriedade de um chinês de Hong Kong que abriu uma cadeia de comida portuguesa pela Ásia. Para mim acabou, finalmente, a festa do boi. Amanhã volto a referir-me ao ano em curso como 2009 ou, para os thais, 2552.

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