31 dezembro 2008

Manjares do Sião no 31 de Dezembro




O meu Ano Novo já passou. Andei por Banguecoque na companhia de dois amigos, ele um grande pintor português - dos mais conhecidos - ela uma militante do associativismo cultural. Gente viajada, educada e muito lida, daquela com quem se pode passar um dia inteiro sem darmos conta do passar das horas. Acabou a jornada no belo restaurante de um hotel de referência. Pela decoração, só me ocorreu o Jansenista; pelo opíparo jantar - coisa verdadeiramente barroca, regada por vinho italiano e champagne estonteante - lembrei-me do saudoso Je Maintiendrai, que lá pelo Oriente Médio terá já tido a sua conta de Sardanápalo. Falou-se do Oriente: dos portuguet de outrora, de vice-reis de montante na mão, da língua franca portuguesa na Ásia dos séculos XVI a XIX, dos fastos de outrora. Regresso cedo a casa, pois os meus amigos partem amanhã cedo para o Camboja. As ruas estão cheias de gente que se diverte, pula e fotografa as esplendorosas decorações da quadra. Uma banda toca incessantemente marchas alemãs e americanas. É Banguecoque, a que vicia ao primeiro contacto. Apanho uma motocicleta táxi, para melhor fintar o trânsito. O homem pergunta-me de onde venho. Digo-lhe Portugal e ele só diz: "o país do futebol". Antes isso, não me fosse falar de coisas menos agradáveis.
O segundo fim de ano fora da pátria, mas com portugueses por perto. Confesso que me faz falta o meu país, que tanto amo e me repele como um amante desprezado. No próximo ano há mais.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Não te rales. Nós, cá dentro, sentimos o mesmo.