15 dezembro 2008

Heróis de tresantontem / ฮีโร่เก๊



Perante revolucionários destes, antes o boneco com cheiro a nafetalina dos poderes populares, das lutas de classes e anti-"camadas burguesas" e "anti-imperialistas", onde classe operária e camponeses, mais soldados e marinheiros, estudantes e mulheres faziam as maravilhas dos fantasmas de muita gente desta. Hoje temos os mesmos goliardos das maravilhas radiosas enfarpelados e bem comidos, bem fumados e bem bebidos, refastelados em sinecuras e pedindo que lhes beijemos os augustos pés em nome do mercado e da liberdade que só eles sabem interpretar. Acabou o tempo dos pijamas azuis made in China, das boinas estreladas, das barbas ralas de cinco dias e das botifarras rombas. De Obama a Gordon Brown, do Sapateiro espanhol aos nossos vigilantes da pureza do pensamento que se diz bem intencionado - o único, aquele que se deliciou com o livrinho vermelho e agora só lê "faça riqueza pessoal à custa do Estado" - é uma procissão interminável de soissante-huitards recusando deixar o pódio. De porrete em riste, vão enxotando todos quantos se aproximam perigosamente da palha da manjedoura. É o socialismo de subsidiação - o anti-capitalismo com o gosto pelo dinheiro - que está a matar a sociedade de mercado e a restaurar aquele que foi tido nos países capitalistas como o maior inimigo do mercado: o cartel. A cartelização faz-se com ministros e legisladores amigos, com favores em concursos públicos, com informação transmitida a tempo. É assim, com os dinheiros públicos, que se fazem tremendas fortunas. É assim que vão à falência aqueles verdadeiros empresários que não têm entrada nos clubes frequentados pelos heróis de tresantontem.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Maravilhoso, como sempre!