02 dezembro 2008

Expressões que detesto (3): "um homem difícil"


Quando ouvirem tal expressão, tal quer dizer que a pessoa visada pelo labéu é merecedora de respeito e possui integridade e frontalidade de carácter. Os "homens difíceis" são, sempre, os postos à parte, aqueles que não pagam corveia, que não carregam a mala da pequena potestade, os que raramente dizem sim, não estão embrulhados em bandos e grupos, não fazem tertúlia, não pedem esmola nem a esperam de ninguém, têm opinião herética, defendem os seus pontos de vista de espada na mão e não integram a estupidez inteligente. Os "homens difíceis" não são imbecis; logo, aqueles que os colocam à parte inventam o argumento da dificuldade de relacionamento para os não convidarem para locais frequentados por "homens esclarecidos". Cortar-lhes a palavra, lembrar aos convivialistas o bisonho da criatura, não lhe fazer referência - colocá-lo, até, no obituário - são estratagemas comummente utilizados. Lembro os tempos da faculdade em que os estudantes escolhiam os professores. Sempre que se chegava ao de António Borges de Macedo - "homem difícil" e não esclarecido - lá vinha a pedra de arestas bicudas e perfurantes: "tem cuidado, ele é um homem difícil". Assim, lá iam ufanos os meus colegas para os homens esclarecidos, os de manso sorriso, os resistentes, os funcionários do PC.

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