29 dezembro 2008

Carmelinda Pereira e Isabel do Carmo na Tailândia



Lembram-se das Base-FUT, dos PR-PBR, do POUS, da LCI, da CLARP, da FSP, URM-L, dos VAF que em 1976, passado o 25 de Novembro, ainda exigiam lutas, ocupações, "grandes jornadas", angariavam abaixo-assinados e sonhavam com uma revolução redentora ? Eram os retardatários inconscientes do PREC, a tropa miúda que tivera dois minutos de fama num país feito manicómio e que não queriam largar mão da anormalidade em que haviam prosperado precipitando-nos no ridículo. Essa militância, talvez a mais idealista - pois que os mais avisados carreiristas se haviam passado para portos de abrigo mais apetecíveis como o PS e o PSD - fazia-se de muita ingenuidade e até sacrifício. Desconhecendo que a grandes perturbações sucede um período de restabelecimento das coisas futéis que fazem a normalidade, ter-se-ão sentido ultrajados por já ninguém lhes prestar atenção. Os portugueses trocaram então Enver Hoxha, Mao, Pol Pot, as fitas das bailarinas guerrilheiras chinesas da Ópera do Povo, os poemecos de José Mário Branco, as brochurazinhas da Editora Vento Leste, as sessões de esclarecimento sobre as comunas de Qingthai e Yunnan pela Gabriela Cravo e Canela, pela Visita da Cornélia, pelo Porto-Benfica dos domingos ou, simplesmente, regressaram a Fátima para pedir uma graça ou ao Coliseu para escutar Amália.


Pois bem, tal como no Portugal pós-PREC, aqui pela Tailândia também há gente que julga que a balbúrdia pode e deve continuar. Esgotados por tanto comício, por tanta barricada, jornais de parede, os tailandeses só falam de filmes, projectos de fim-de-semana, do último perfume, do CD acabado de sair. Os "vermelhos" pró-thaksinistas querem repetir, já sem graça, o mini-PREC ao contrário que aqui se passou ao longo de meses e que culminou com a ascensão ao palácio do governo de um ministério monárquico, sereno e de acalmação. Se nos próximos dias de novo ouvirem coisas abracadabrantes sobre a Tailândia - cargas policiais e gás lacrimejante, barricadas e outras picardias - não temais, pois são os últimos cartuchos de um processo que está encerrado. É o último grito de quem perdeu e sente o chão abrir-se sob os pés. São, eventualmente, os melhores entre os fiéis de Thaksin, agora um mero gurú que parece só reunir aqueles que nada têm a perder. A polícia vai tratar do assunto e nos próximos dias nada restará desta arremetida desesperada. Venham, pois, à Tailândia. Não há nada: é só fumaça ! Estamos em Thermidor, já ninguém quer saber de política de rua.

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

E já devem alguns a "andar por aí", preparando-se para a tal mobilidade, arranjando uma tigela de arroz algures... num ministério. E daqui a 10 anos ainda falarão de revoluções em qualquer beberete, fazendo chocalhar o gelo no uísque e falando de projectos irrealizáveis. temos por cá gente dessa em barda!

Gi disse...

Pois, hoje li uma notícia sobre protestos diante do parlamento thai e perguntei-me, Então não estava já tudo calmo?

António de Almeida disse...

-Ontem passou no telejornal da RTP1 uma peça que mostrava uma manifestação de pessoas envergando t-shirts vermelhas, apoiando o regresso de Thaksin. Mas não houve grande enquadramento, quem desconhecia os acontecimentos ficou na mesma, apenas com a informação que a situação na Tailândia ainda não acalmou. Presumo ter sido esse o único objectivo da peça.