02 dezembro 2008

Acabou a crise, podem vir à Tailândia


Última hora: o partido no governo (PPP) e dois dos seus parceiros menores acabam de ser dissolvidos por ordem da Corte Suprema e os seus dirigentes impedidos de exercerem actividade nos próximos cinco anos. No elenco das faltas apontadas, corrupção, fraude eleitoral, abuso de poder e apropriação indevida de bens para fins estranhos ao bem-comum. O governo cai automaticamente com tal decisão. A Tailândia regressa à normalidade após meio ano de dura luta política. No aeroporto internacional de Banguecoque uma enorme multidão dá largas às notícias. O PAD (tradicionalistas) saiu vitorioso, mas tal não quer dizer que se possa constituir em novo governo. Cabe ao chefe de Estado ponderar todas as possibilidades e restabelecer a unidade nacional. Tal como no passado, os tailandeses viram-se para o seu Rei e aguardam a melhor decisão.

Confesso que nunca pensei em tal desfecho, habituado, como europeu, ao poder que os homens do dinheiro detêm, à concentração da opinião que se publica nas mãos dos cartéis da "informação esclarecida" e à inexistência de quaisquer instituições não recobertas pelos donos do "pensar correcto". Sou, absolutamente, adepto do sufrágio universal, do sistema democrático, da livre expressão de ideias e coetâneos direitos de reunião e associação. Contudo - lembram-se da Itália ? - formas pervertidas de democracia também existem, pelo que se em Itália se recorreu Às Mãos Limpas, aqui fez-se o que se sabe. Só espero que a Tailândia, como previ, escolha uma "ditadura à turca", limpe a casa e restabeleça a democracia impoluta que é desejo de todos os thais. Contente estará, decerto, o general Chamlong, que foi campeão da democracia neste país em 1992 - liderando um levantamento popular contra a ditadura militar - e agora vê coroada de sucesso a temerária empresa em que se lançou.


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