17 julho 2013

O Presidente é sempre de alguns


O presidente americano tem repetido a cantilena por nós sobejamente conhecida do "presidente para todos os americanos". As repúblicas - todas oligárquicas - pressentem a fragilidade de uma chefia de Estado a prazo, macaqueando a permanência que quer dizer monarquia, numa chefia de Estado dinástica, hereditária e não submetida às flutuações emocionais e irracionais, aos interesses económicos e ao apetite de poder das elites [divididas] que entre si se guerreiam. O garante das liberdades e da Liberdade não são as repúblicas oligárquicas, mas as monarquias, imparciais, não subornáveis, indiferentes aos interesses do momento e fiéis intérpretes do interesse colectivo, do interesse do Estado e da unidade nacional. A América sempre foi uma república oligárquica. A atestá-lo, o facto do presidente não ser eleito directamente pelo universo eleitoral, mas por um colégio.
A democracia entrou depois, mas ficou-se pela câmara de representantes e pela liberdade de que gozam os cidadãos, sobretudo aqueles que integram as mil e uma "minorias" que nas eleições fazem lóbi por um e outro candidatos. Os lóbis não deixam Obama em paz. Pedem-lhe contas e dele exigem que governe em função dos mil e um suados acordos de bastidores. Nos EUA, como em Portugal, a presidência está cativa desde o primeiro dia. O presidente é um homem de facção, de partido, amigo de muitos lóbis e inimigo de muitos outros lóbis. Ignorá-lo é um clamoroso atestado de ignorância política. O verdadeiro sino da Liberdade, aquele que soa em defesa do bem-comum, aquele que concita a unidade em momentos de perigo e que conclama à grandeza dos vencedores face aos vencidos, que perdoa e aplica a justiça, que não olha à riqueza e à pobreza, que representa o passado, o presente o futuro, não se funda em ideologia alguma e não é contra nada nem ninguém, mas por todos, é a monarquia. Sabemos quanto perdemos como comunidade de destino ao vermos partir o Rei, substituído por homens de mil e um artifícios, oprimidos por constrangimentos, incapazes de discernir o interesse colectivo. Enquanto não compreendermos a tragédia da república, seremos sempre escravos e mandaretes de lóbis.

4 comentários:

Maria disse...

Excelente escrito.
A democracia como regime que veio susbstituir as monarquias (com poucas excepções), foi instituída por seres ignóbeis, sem prestígio ou integridade ou idoneidade e nenhuma formação moral nem a mínima capacidade pessoal, intelectual e política para governar Nações com História, cultura e tradições milenares. Ela foi criada com o fito exclusivo de dividir os povos para reinar, colocando cidadãos uns contra os outros. Isto não é preconceito, é a verdade pura, aliás constatável dia após dia em todas as democracias, desde que a Rev. Francesa as introduziu no mundo.

O regime democrático foi o maior embuste político da História da Humanidade. Foi inventado por gente do mais baixo extracto social e moral, alcandorada por si própria aos mais altos cargos institucionais das Nações, à revelia dos povos. Portanto não são para admirar os defeitos pessoais e políticos que transportam para a governação desses países com a maior desvergonha e à-vontade do mundo.

Os graves defeitos e os muitos crimes bárbaros perpetrados pelos políticos democráticos ao longo dos séculos, os passados e o presente, estão todos aí, referenciados ao pormenor nos livros de História.
Um dia, num futuro não muito longínquo, os regimes democráticos tal como foram concebidos terão desaparecido da face da Terra, substituídos por monarquias constitucionais (ou não). Às quais, os povos, desde há muito escravizados e sem norte, terão recorrido como última hipótese de salvação.

Arun Mai disse...

Well, a finely written essay, but ahistorical and ignorant of real examples of past and present. For every Antonius Pius and Marcus Aurelius you will doubtlessly find in the books of history as many Neros and Caligulas, maybe even more since unlimited power will quickly corrupt the most virtuous men without fail. But you don´t have to look back so far either. Where in this world does exist a monarchy that serves its people´s needs better than republican institutions?
Have a look on the Vatican state, one of the few absolute European monarchies left over. Its territory is not that vast either, so that is no excuse for any occasional overlooking. What do you see, but permanent infighting between factions and cliques for power and positions, disgraceful financial conduct and collaboration with mafia groups, not to mention organised rings of child molesters? It will probably take the new pope´s remaining lifetime to clean up the mess that his predecessors have left.
Spain has a king who enjoys travelling to Botswana for an elephant hunt, while his people suffer.
Have people in Britain anything in advance of people in France?
To be fair, there are of course a few outstanding monarchs, like Margrethe II of Denmark or the former queen of the Netherlands (who the Dutch people call “red Beatrix”).

After all monarchies are like playing roulette with the fate of a nation, sometime its red, sometime its black, and once the ball has fallen you have to live with the result for an unlimited period of time.

Anyway, all this is just an unproductive preoccupation with forms and institutions, leaving aside the main constituent of every society, which is man itself. Even when the monarch is man of high moral and honourable values, what does it help if his 10, 25, 50, 100 million subjects are without virtue? It seems impossible to have any kind of enlightened form of government without a virtuous population. You can press a pile of garbage into the form of a pyramid or a cube, but it will still be a heap of garbage only. A change of institutions that doesn´t cure the problem at its root is window-dressing at best, and a waste of energy always.

Duarte Meira disse...


De facto, caro Miguel Castelo Branco, esta mágica de os presidentes, logo que eleitos, se tranformarem em "presidentes de todos" é um prodígio... de mistificação. Mas o poder de atracção do princípio monárquico é tal, que os mistificadores nem se dão conta de que,com tal artimanha retórica, estão a desconsiderar todos os eleitores: tanto as facções que votaram nele, como os contrários que não votaram porque justamente não o queriam como seu presidente.

Combustões disse...

Indeed, the world is full of men of culture who never act, as those useless but magnificent Byzantines who discussed the truth while the Ottomans climbed the walls.