15 novembro 2008

Impressionante








Grandes, dignas e emocionantes, foram assim as solenes cerimónias fúnebres da princesa real Galyani Vadhana, irmã mais velha do Rei, que foi a cremar num cenotáfio erigido segundo a tradição siamesa. Um mar compacto de tailandeses seguiu as exéquias que decorreram segundo o rígido protocolo bramânico, religião privativa da Casa Real, herdada do período angkhoriano, marca genética das sociedades indianizadas do Sudeste Asiático. O governo pediu ao povo que de negro carregado se vestisse. Hoje, em Banguecoque, ninguém faltou faltou à chamada da pragmática do luto. Na vida e na morte, a monarquia é carne da carne e alma desta nação. Respirou-se grandeza sem afectação; em suma, o país mostrou uma vez mais que a continuidade e o desejo de se manter absolutamente diferente faz parte da identidade e sobrevivência deste Estado jamais colonizado. Apenas me apercebi de insignificantes actos de mau gosto, oriundos, claro, de alguma horrorosa e quase selvagem turistagem analfabeta que não se deu conta da atmosfera de pesar e teimou em exibir camisolas vermelhas, top´s de praia e calções a roçar o género Patpong. Dois estilos, duas atitudes, talvez a melhor acareação entre um mundo que respeito e outro, alvar e insignificante, que abomino. Que falta nos faz um pouco desta grandeza sem burguesinhos de jet set, carregada de vento e manias, desnacionalizada e sem marca de fervor nacional. Este é, absolutamente, um povo culto. Outra nota curiosa. Estive em Sanam Luang, no meio da massa humana e não me dei conta de um grito, uma altercação, um passar à frente. Este é, decididamente, um povo de boas maneiras.

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