17 novembro 2008

Contrastes



O Ocidente e o mundo acomodaram-se definitivamente à lei da mediania sem asas, sem cabeça e sem gosto. As últimas décadas são eloquente testemunho desse plano inclinado em que a demissão da inteligência fez causa comum com o exibicionismo roncante, o falso igualitarismo triunfou sobre a diversidade enriquecedora e por todo o lado se quiseram as pessoas standardizadas no vestir, no falar e no pensar. O triunfo do homem comum, delícia das delícias do totalitarismo que não se quer ver ao espelho, constitui um desastre quase irreparável, porquanto aquilo que se teima chamar globalização, ao invés de promover homens de qualidade, deu expressão à tirania dos medíocres, dos contabilistas, dos vendedores de chips e automóveis, aos angariadores de seguros e demais obcecados pelo dinheiro. Os poderosos deste mundo reúnem-se anualmente para discutir as magnas questões que afligem o planeta. Olhando para a foto de família, procura-se em vão um estadista, mas só se lobrigam Betas, insignificâncias, gente que se “quer vestir bem”, “comer bem”, “viver confortavelmente”, conhecer ressorts nas Caraíbas, palmilhar cardápios e listas de vinhos de “qualidade” . Este macaquear da aristocracia e das elites tradicionais vai acabar mal. Li ontem que a falecida princesa tailandesa que foi a cremar comia duas refeições por dia, que se recusava gastar mais de 60 bath por prato (1,5 Euro) e a traparia cabia, toda, num guarda roupa. Quer explicar estas coisas aos patetas ufanos de consumo e status ? Empresa votada ao fracasso. Olharão para si com uma imensa pena.

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