04 novembro 2008

A banalização do café-política


Há muito que deixei de ler Mário Alberto. Corrijo, desde que li o "Portugal de Mordaça", há mais de vinte anos, tenho opinião formada e sustentada a respeito do amadorismo, impreparação, falta de rigor e superficialidade, vazio e total inabilidade literária daquele que foi, durante décadas, ícone sagrado gabado por palafreneiros em busca de protector. Tido por um "homem de cultura", o Pai da Pátria é um campeão da banalidade e do lugar-comum, tendo até a rara qualidade de aliar os piores predicados de diletantismo atrevido, preguiça mental e falta de referências que dele fazem, por inteiro, um monumento à ausência de pensamento. Pergunto-me como é possível que tivesse o supino atrevimento de se fazer fotografar em frente de imensa biblioteca. Hoje li o ditirâmbico elogio que tece a Obama e tremi de espanto: um interminável linguado de crenças e superstições, a completa falta de informação de base sobre a geo-política, ausência de distanciamento crítico, irracionalidade opinativa compulsiva e uma semeadura de frases sem sentido, tolas como perigosas, que só adensam a fragilidade do signatário. Diz que Obama tem o apoio das massas populares, mas esquece-se que as outras "massas" fizeram do futuro presidente o mais rico dos angariadores de fortunas da Wall Street. A campanha de Obama é cinco vezes mais rica que a máquina republicana. Depois, vira-se contra McCain e afirma, ao arrepio das suas convicções democráticas, que a vitória deste seria uma imensa desilusão para a esmagadora maioria dos seres humanos e teria consequências muito negativas para o equilíbrio da nossa Casa Comum, a Terra. O que quer dizer com a Casa Comum ? Que a América vai deixar de ser um império, vai abrir mão do seu poder mundial, ouvir o Luxemburgo, o Mali, os Camarões e o Laos e nunca decidir sem auscultar Pequim, Bin Laden, Kim Jong Il e os ditadores carnavalescos do populismo sul-americano ? Depois, deixa um importante aviso: que Obama não é um "socialista" mas um patriota americano que "até quer um entendimento com Cuba". A bota não joga, decididamente, com a perdigota. Se ele escreve assim para o DN, exijo que o meu sobrinho João, de 11 anos, passe a ter lugar cativo num jornal de grande tiragem !

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