20 novembro 2008

Apaziguamento ou rendição ante os inimigos do Ocidente ?



Obra polémica, misto de ensaio e trabalho de grande fôlego historiográfico de um autor sobejamente conhecido que tem sido atacado sem dó pelos profissionais da história documental, sem asas e privada de coragem intelectual. Atacado pelo confesso catolicismo na acusação das pseudo-religiões que mancharam o século XX - o nazismo e o comunismo - bem como daquelas que se preparam para semear a presente centúria de crepes, alerta para o esperado apaziguamento entre o Ocidente e o Islão extremista. Michael Burleigh afirma sem rebuço que o apaziaguamento da luta contra o Terror Global pode carregar no seu bojo perigos ainda maiores que a contenção manu militari do Islão militante. O problema do Ocidente, diz, baseia-se na imagem de fraqueza que exibe ante aqueles que o querem destruir, no desarmamento cultural e vazio perante os inimigos, no conciliarismo a todo o custo que só aumenta o desprezo e tentação para a acção daqueles que se julgam investidos de uma missão divina. Livro notável, inovador e prospectivo, notável também pela associação genética que estabelece entre o nascimento do nazismo e do comunismo e a destruição da ideia de Europa, queira-se ou não, uma criação do cristianismo. A maior provocação ao leitor reside, precisamente, no facto de o autor, homem de direita, ser um fogoso inimigo do "mundo moderno", com as suas incuráveis tentativas de forjar religiões à la carte, macaquear as instituições que regeram e produziram as nações europeias, de se entusiasmar com a possibilidade de reinventar causas sagradas, roubando-as ao património erigido pela história. Como bem aponta, o nazismo apropriou-se fraudulentamente de toda a cultura alemã, indo ao ponto de transformar a obra de Beethoven em fundo oficial do III Reich, de confiscar a figura histórica de Frederico II e fazer crer aos alemães que estavam a reviver as façanhas pretéritas dos povos de língua alemã.


O Deutschland, hoch in Eheren,
obra poética de Ludwig Bauer (1859) e musical de Hugo Pierson transformada pelo regime hitleriano para convocar o Volksturm ("Tempestade Popular) em 1944, ideia também roubada ao levantamento popular anti-napoleónico de 1813.

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