09 outubro 2008

Tão repelente como o comunismo


Agitam-se e vociferam, suados e estupefactos, como se um castigo imerecido sobre eles tivesse caído. Para eles, que todo o horizonte se circunscreve às dimensões de uma nota verde e a percepção do belo se reduz ao novo latinório da Wall Street, parece que o mundo se encontra à beira do colapso. Durante anos, impantes e agressivos, propalaram a ideologia da salvação aquém da morte pela exibição do mérito sem letras e sem princípios, nunca esboçaram qualquer interesse pela sorte dos desprotegidos e todos quantos, impossibilitados de com eles correm pela vereda ascendente, pareciam condenados a pagar a maldição da pobreza. Aboliram a justiça, proscreveram os direitos sociais da cidadania moderna, privatizaram o imprivatizável, riram-se da fraqueza dos idosos, segregaram os doentes, legislaram contra a segurança dos lares, insultaram os servidores da coisa pública - considerando-os parasitas - e quase destruiram o Estado. Tudo o que mexesse devia ser coutada do Homem Novo que o novo século americano quis consagrar. A ditadura do atrevidismo alvar, o desdém pelo serviço público e pelo bem comum, o gargalhar escarninho sobre a cultura, a ilustração e demais ninharias não lucrativas coroou década e meia em que criaturas inferiores quiseram refazer o mundo à imagem de uma roleta. Isso acabou em desgraça. Agora, voltam-se para o Estado pedindo-lhe linhas de crédito, pedem socorro aos contribuintes que quase proletarizaram, invocam a partilha colectiva de responsabilidades e vão até ao extremo de requerer nacionalizações. Estes plutocratas são os maiores fazedores de revoltados e os maiores propiciadores de tudo quanto pode nascer do ovo do totalitarismo infuso em cada homem.
Aqui neste país do Oriente, aqueles que se recusaram servir tal gente, levantaram-se há meses. Agora dou-lhes plena razão. Há que acabar com o regabofe dos adoradores do esplendor do vazio !


Money, money (Liza Minelli)

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