14 outubro 2008

A nótula Saramago



Parece que Saramago já está a fazer companhia a Wole Soyinka, Wisława Szymborska e Doris Lessing no Olimpo dos grandes desconhecidos aos quais coube a sorte da tombula de Estocolmo. O Nobel da Literatura é como o Nobel da Paz, outro parente pobre da árvore do mérito universal. Quando não há ciência a galardoar, a academia de sábios garatuja umas frases sem sentido, como quem risca um guardanapo em noite de copos e contempla a Eritreia, a Costa Rica, o Bangladesh ou a Macedónia. Em Asmara, San José, Daca e Skopje exulta-se, como exultam os beninenses com a Taça da África Ocidental, os brunienses pela palma de ouro no festival de Kuala Belait ou os guadalupanos com o a citação na quinta coluna da página de culinária do New York Times. Fica por aí. O resto é um ciclópico esforço dos promotores comerciais em manter o público aos pés dos heróis que cometeram a proeza. É como aqueles povos do ignoto Pacífico que nada tinham a mostrar aos viajantes que aportavam para além da mulher gordíssima que mantinham numa gaiola, alimentada dez vezes por dia com tutano de porco e mitras de galinha. Era a atracção local. Nós temos Saramago.

Sem comentários: