01 outubro 2008

Defesa do capitalismo


Como era de esperar - e de desejar, pois a polémica é útil e necessária para a defesa dos méritos do capitalismo - as carpideiras das teorias regressivas do regime económico, de direita como da esquerda, vieram a terreiro com as habituais ladaínhas ao intervencionismo absoluto, ao proteccionismo asfixiante e mesmo à autarcia, cantando os méritos da economia de subsistência e do pequeno horizonte de campanário.


Os pós-marxistas, os neo-comunistas, os pós-neo-corporativistas esquecem-se que a actual crise do capitalismo não é, obviamente, o dobre de finados da economia de mercado, mas consequência da absolutização de uma componente subsidiária e acessória do regime económico capitalista que é a actividade bolsista. A bolsa é importante enquanto dinamizador da actividade económica, mas dela é extensão causal, nunca o fundamento. O que há que reparar é a inversão da ordem e da hierarquia, pelo que requerer a intervenção correctiva não implica que o Estado fique, mas apenas que ministre a terapia necessária à restauração do status quo ante; ou seja, restaurar as condições que tornaram possível aos homens deste mundo viverem melhor e mais livres enquanto criadores de riqueza e emprego.


Do tempo dos especuladores e dos jogadores de Casino, é pedido que se volte ao tempo dos empresários, da iniciativa responsável com risco de cabedais particulares; nunca a jigajoga a que assistimos ao longo dos últimos quinze anos e que se apresentou sob o nome de "globalização". Restaurar fronteiras económicas não implica contradição com as premissas do capitalismo. A história confirma que o capitalismo funciona alternadamente entre períodos de protecção ao tecido produtivo e períodos em que, para crescer, pede menor vigilância. O capitalismo é dinâmico e confundi-lo, apenas, com a finança é desconhecer que o capitalismo oferece melhores condições para a realização da felicidade e, necessariamente, da justiça.


O proteccionismo, o estatismo e o colectivismo acabam, sempre, por empobrecer, fechar horizontes, levar à substituição da manteiga pelos canhões e artificializar monopolistas. Tudo o que se opõe ao capitalismo acaba por escravizar e imobilizar. No fundo, o que os inimigos do capitalismo pretendem - à esquerda como à direita - é restaurar uma sociedade de serviçais do Estado, quando não uma sociedade de ordens. Ora, estas sociedades fechadas e privadas de competição, ao invés de desenvolverem a justiça, acabam por colectivizar a pobreza. Esta não é a crise do capitalismo. É a crise de uma distorção do capitalismo, como é o fim da ilusão que o mundo é uma aldeia. O mundo não é uma aldeia, a liberdade económica das nações e dos povos estriba-se na segurança garantida por regras que evitem o desinvestimento, as "relocalizações" e a especulação. Foi essa atenção ao balanceamento entre o interesse colectivo e as justas aspirações individuais que fez a riqueza do Ocidente. A ele temos, pois, de voltar: voltar à produção, à empresa, ao trabalho e ao lucro.


Acabar com o forróbodó dos bancos e dos meninos parvos a brincar à banca, favorecer um regime suave de tributação fiscal aos agentes económicos, proteger a fronteira económica do capitalismo contra os falsos capitalistas do produtivismo com salários de miséria, proteger e estimular a poupança, legislar favoravelmente aos interesses de quem quer correr riscos criando empresas; eis, em suma, o receituário. A finança não tem pátria. O capitalismo tem pátria e uma civilização.

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