06 outubro 2008

À beira da revolução

O Parlamento foi hoje cercado por uma multidão estimada em cinco mil pessoas. Com a sede do governo há muito ocupada pelo PAD, dir-se-ia não haver governo no país. Não deixa de constituir uma vergonha para a imagem do regime vigente o facto do primeiro-ministro se encontrar presentemente a despachar das instalações do antigo aeroporto internacional de Banguecoque. A verificar-se a tomada do parlamento pela multidão, a Tailândia deixa de ter poder executivo e poder legislativo efectivos. Depois da onda monárquica de ontem, em que a oposição varreu literalmente os partidários do ex-primeiro ministro exilado no Reino Unido, o dilema parece oscilar entre uma transição pacífica de poderes, com a chamada do líder da oposição monárquica democrática para constituir um governo provisório até novas eleições, ou a queda do regime, eventualmente com a saída dos militares à rua. Na Tailândia chegou-se a um ponto de não retorno. Tudo o que acontecer a partir de amanhã ditará o futuro do país. Este PAD é osso duro de roer e, como aqui sempre dissemos, quanto mais tempo passar sem se encontrar solução compromissória, mais forte ficará o movimento anti-parlamentar que deixou de ser, decididamente, um elemento marginal na vida política tailandesa. As ditaduras não são, como nunca foram, solução. O PAD e seus líderes sabem-no e terão agora de pensar seriamente em aceitar o repto de eleições e testar o apoio que vai crescendo em torno das suas ideias de purificação da democracia. A não fazê-lo, pode abrir portas a um longo período de lutas que comprometerão irremediavelmente a estabilidade e imagem do país.

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