27 setembro 2008

Um dos mais belos palacetes portugueses fica na Tailândia


São as malhas que o Império teceu. No centro de Banguecoque, com uma impressionante vista sobre o rio, a embaixada de Portugal. Um edifício belo e sereno, com frontão lembrando uma White Mansion colonial, varandas fechadas e jelosias, grandes caixas de respiração em madeira e um traçado que testemunha o profundo conhecimento português na edificação em climas tropicais. O jardim, excepcionalmente bem tratado, denuncia a mão da embaixatriz de Faria e Maya, que lhe tem consagrado muito trabalho. Ontem, por razões burocráticas, por lá passei e foi-me concedida a honra de um passeio pelo jardim na companhia da locatária. Conversa interessante e essa necessidade quase física que temos de falar a nossa língua proporcionou-me um fim de tarde verdadeiramente agradável. Às vezes, com Portugal tão longe - e não podendo, por ora, regressar - sinto necessidade de pisar terra portuguesa. A embaixada foi, durante muito tempo, o único terreno estrangeiro no Sião, pois o medo de ver estrangeiros tomarem a terra levou os thais a reforçarem os dispositivos legais que interditassem a aquisição de propriedade fundiária e urbana por súbditos de outras nações. O palacete é conhecido e venerado. Não há livro, revista de arquitectura ou de história que não lhe consagre um artigo ou uma foto. Estamos pobres, mas como potência histórica, ali ainda transpiramos grandeza.

Sem comentários: