04 setembro 2008

O braço de ferro das teimosias e uma ideia que não lembra ao diabo


A situação é estacionária. Não há lutas, tiros nem enfrentamento violento, os tailandeses e os estrangeiros fazem uma vida normalíssima e a política fá-la quem a ela está ligado. Conhecendo minimamente a psicologia desta gente, dir-se-ia um braço de ferro de teimosos para saber quem cederá primeiro. Os asiáticos são assim: muito obstinados, não recuam um passo e insistem, insistem e voltam a insistir até que os seus pontos de vista triunfem. Chamlong não é homem de vacilações; Samak também o não é. Vamos ver de que lado rebenta a corda. Porém, um facto salta à vista de qualquer observador: quanto mais tempo passar, maior mobilização conseguem os rebeldes, que entretanto já começaram a receber apoios expressivos das universidades, dos sindicatos, das províncias e, até, da forte minoria muçulmana do sul. Vinha para casa e notei quanto aumentou desde ontem o número de transeuntes envergando as camisolas amarelas e como decresceu em proporção o número de camisas negras.

O governo aqui anuncia o recurso ao referendo para resolver uma questão que passou há muito para as ruas. É evidente que tal ideia - perfeitamente justificável e democrática em tempo de normalidade - não terá vencimento, pois os opositores, pura e simplesmente, apelarão ao boicote ou à abstenção. Samak está a oferecer luta e a invocar a legitimidade eleitoral que o colocou na chefia do governo. Em todo este longo processo, tem-se portado com moderação, talvez a moderação de quem tem pouco ou nenhum poder para recorrer aos meios violentos de que se serviu noutros tempos quando, também ministro, mandou carregar e disparar sobre milhares de pessoas.

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