29 setembro 2008

Mussolini de pacotilha


A brincar: Os negócios não têm cara. O dinheiro não tem vergonha. A vergonha já não tem preço. Depois da revoada das visitas a Castro, o Mussolini de pacotilha especializa-se no turismo ao Eixo do exotismo político : Cuba, China, Bielorússia e Portugal, quatro casos bem sucedidos na equação "infantil fascínio pela informática+pensamento curto = autoritarismo de comic's". A continuar assim, para além do futebol, dos rodeos e dos campos de golfe, acabamos como hóspedes dos facínoras aos quais já ninguém concede vistos. Depois de Mugabe, já só falta o taxista de Teerão.
Agora, a sério: As relações externas devem ser conduzidas sem preconceitos. Nas relações comerciais entre os Estados preside o príncipio da oportunidade e do lucro. Se o Irão, a Coreia do Norte, o Zimbabwe ou o Sudão nos propuserem negócios lucrativos, que venham o Irão, a Coreia do Norte, o Zimbabwe ou o Sudão. Ou não eram os EUA que vendiam armas ao Irão para, com esse dinheiro, pagar a guerra dos "Contras" ao governo sandinista de Manágua ? A Espanha de Franco e o Chile de Pinochet fizeram fortunas, respectivamente com a URSS e a China, sem que com tais países tivessem relações diplomáticas formais. O tal senhor Hitler até vendeu armas ao Négus da Etiópia na guerra defensiva que este suportou em 1935-36 contra a Itália fascista, os britânicos inundaram os cofres de ouro vendendo armas ao Paraguai e à Bolívia - dois países que se esvaíam na guerra pelo domínio do Chaco - os russos venderam armas aos israelitas na guerra de 1948 e os franceses puseram-se na primeira linha dos dadores ao governo de Pol Pot.
Contudo, há que separar as relações comerciais das relações de regime-a-regime. Se Portugal faz parte do Ocidente, não pode receber fraternalmente um dos mais notórios líderes anti-ocidentais, sob pena de cair na ira americana. O presidente Chavez nem devia vir a Portugal e, se viesse, deveria ser recebido com toda a cordialidade e segundo as normas do protocolo, conquanto entrasse pelas traseiras de S. Bento, e só depois da meia-noite.

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