17 setembro 2008

Da América dos radicais à América das bagatelas


Nazis e Black Power juntos

Acompanhar, por necessidade elementar de informação, a corrida à Casa Branca é espectáculo pouco propiciador para pessoas em busca de sensações fortes. Da paupérrima qualidade do debate e dos temas abordados ao miserável friso de candidatos, a eleição de 2008 vem provar a decadência da política, o lento adormecimento da sociedade civil e a instalação do fatalismo num grande país que não soube, tudo o demonstra, tirar partido de duas décadas de supremacia absoluta. Após 63 anos de Império, os EUA oscilam entre a resignação da queda e as pequenas operações cosméticas que escondam as fissuras, as rugas e a completa ausência das responsabilidades planetárias que ainda detém. A "potência global" falhou: não deixou marca, não mobilizou aliados, boas-vontades e inteligências. Mais que odiados, os norte-americanos são, simplesmente, ou invejados pelos pobres, ou desprezados pelas demais potências que um dia detiveram as chaves do poder mundial. Como aqui disse um dia, os EUA foram - ou são - uma desilusão.
Se olharmos para a década de 1960, quiçá a mais interessante da vida e cultura políticas norte-americana, o contraste é flagrante. Então, do supremacista nazi George Lincoln Rockwell ao activista racista negro Malcolm X, do extremista segregacionista George Wallace ao reverendo Luther King, dos irmãos Kennedy ao conservador populista Nixon, os EUA exibiam um surpreendente, jovem e agressivo leque de opções que carregavam futuríveis opostos mas pletóricos de provocação. A América dos anos 60 era, sem dúvida, o centro da controvérsia ideológica. Hoje, ouvindo do soporífero Obama e parceiro ao decaído McCaine e alvar pateta que o assessora, damo-nos conta do fim da inspiração.

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