06 setembro 2008

Combustões no coração dos rebeldes: logística (III)







Os tailandeses têm duas características que por vezes se tornam quase obsessivas: as limpezas - do corpo e da casa - e a comida, que é tema recorrente de discussão. É um povo anfíbio que se banha quatro ou cinco vezes por dia e enche os armários de cremes, loções, perfumes e demais produtos de drogaria. Este traço cultural estará, talvez, associado à ancestralidade indiana bramânica desta cultura e à ideia de impureza do corpo. Olhando para as mãos e pés desta gente - do mais humilde vendedor de rua às senhoras da alta sociedade - ficamos perplexos pela atenção dada às mãos e unhas, aqui permanentemente lavadas, amaciadas, polidas e cortadas.
Os rebeldes montaram um serviço completo de higiene pública: casas de banho, carros cisterna e até autocarros para as necessidades fisiológicas. Vê-se que há aqui organização e experimentada mão de militares [reformados] na concepção e disponibilização de tais serviços básicos. O vasto recinto do palácio governamental - talvez cinco vezes maior que S. Bento - está impecavelmente limpo, varrido, com contentores de lixo substituídos cada quatro horas, como me informou um homem das brigadas de limpeza.
A comida não falta e é gratuita para quem quiser um prato de arroz com caril de galinha, uma sopa, um refrigerante ou uma água. Aqui, não há dinheiro. É tudo de graça, permitindo-me avaliar dos meios e ajudas que muitas empresas e particulares puseram à disposição do PAD. Para os doentes, há duas enfermarias - uma para assistência e outra para casos graves - e três farmácias, que facultam (gratuitamente) remédios. Vi muitos médicos e enfermeiros prestando assistência aos ocupantes.
O dinheiro não deve faltar, pois o canal de televisão pirata - visto por todo lado - está permanentemente a debitar ofertas pecuniárias que vão para uma conta bancária fora do país e que, depois, transitarão para contas particulares de pessoas relacionadas com o movimento. Há ofertas de 100.000, 200.000 e um milhão de Bath. Pergunto-me como podem manter o movimento de entrada e saída do recinto sem serem importunados pela polícia, que só sorri. Um oficial das forças de segurança fora do perímetro até me fez um discreto V !

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