05 agosto 2008

Tea with Berlusconi

Berlusconi mandou a obesa tropa e a policia do ar condicionado e da papelada restaurar a paz nas ruas das cidades italianas. A medida está, naturalmente, a concitar as mais vivas reacções, sobretudo daqueles que se escudam nos sempiternos "argumentos constitucionais", agora encavalitados nos "direitos sindicais dos trabalhadores das forças de segurança". É elemento de toda a evidência que ao longo dos últimos anos o quotidiano dos europeus mudou muito, mudou para pior. A velha Europa da abundância, das ruas limpas, dos cidadãos cumpridores e dos passeios seguros deu lugar ao império da banditagem, do tráfico de estupefacientes, dos esticões, da mendicidade, dos "sem-abrigo", dos "sem-papéis" e, até, à chegada de verdadeiras hordas de migrantes que do Leste vão trazendo as nobres profissiões nas artes de estender a mão em concha, cobrar imposto sobre lavagem compulsiva dos vidros dos automóveis colhidos nos semáforos e da escravização das trabalhadoras do sexo, delícias que fazem o imaginário de ONG's e demais cultores da ingenuidade retardada.

A medida de Berlusconi é aplaudida pela generalidade dos italianos, que estão prontos da trocar muitos "direitos constitucionais" por alguma segurança, lembrando o velho lugar-comum do ventennio, quando não havia liberdade política - havia a OVRA, havia a censura, o condicionamento e a propaganda, o rícino lançado garganta abaixo dos inimigos do regime - mas os "comboios circulavam a horas". É claro que Berlusconi não é ditador, que o fascismo morreu e que a simples ideia de privar os italianos da liberdade não passa de atoarda da esquerda ex-comunista. Moral da história: as pessoas comuns, as que não fazem política, as que não se apaixonam nem querem saber da politiquice, querem viver habitualmente, querem sair à rua, sentar-se em esplanadas, comer uma pasta sem que um energúmeno, um meliante ou um assaltante lhes tolha o caminho, de faca em riste, para cobrar o "imposto revolucionário da anarquia" em que lentamente a Europa resvalou.


Parlami d'amore Mariu

Sem comentários: