17 agosto 2008

Sihamoni do Camboja: o rei simpatia

Há dias, uma amiga belga, casada com um diplomata, dizia-me que vira o rei Sihamoni entrar no carro no lugar da frente, ao lado do motorista. O rei desloca-se de janela aberta, acena a quem o cumprimenta e pára frequentemente para falar com os transeuntes. Como é diferente das nulidades redondas que inundam a engravatada burocracia da Europa. Falta-nos alguém assim.

Quebrando o rígido protocolo - que considera ofensivo tocar na pessoa do rei - Sihamoni conhece verdadeiros banhos de multidão onde quer que se apresente. Numa região marcada por forte sentido de casta e pureza, esta atitude contrasta e choca algumas (in)sensibilidades, mas permite ao rei manter um contacto quase familiar com o seu povo.

O primeiro-ministro, ex-khmer vermelho, verga-se para prestar homenagem ao chefe de Estado. Há quem diga que o rei se tem oposto com veemência a julgamentos do passado, oferecendo a magnanimidade como selo da unidade nacional.

Sihamoni, o novo rei do Camboja, conquistou o coração do seu povo. Depois do flagelo comunista, restaura-se lentamente o culto da realeza, coisa que tanto espanto provoca nos ocidentais desconhecedores da doutrina da soberania real de raíz indiana, mas que passsei a compreender e respeitar após um ano na Tailândia.


Pran's Departure (Mike Oldfield)

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