29 agosto 2008

Militia redux

O previsível está a acontecer. Hoje, pela manhã, a polícia começou a "limpeza" pedida pelo primeiro-ministro, mas não conseguiu tomar o reduto dos contestatários, que neste momento se concentram nos jardins do Palácio do Governo, ocupado desde anteontem. Houve gás lacrimogéneo, cabeças rachadas, barreiras destruídas, pedras pelo ar, gritos e fugas. Auto-estradas e linhas de caminho de ferro cortadas, aeroportos fechados, greves e desafios à ordem estão a espalhar-se pelo país. O Exército está reunido com o governo, diz-se para evitar novo golpe militar. Os insurgentes estão a tentar impedir o acesso à capital das milicias pró-governo o que, a acontecer , iria desencadear uma onda de violência que poderia culminar com um banho de sangue. Espera-se que o Rei, o único homem respeitado por todos, tome uma posição no decurso dos próximos dias.
Os tailandeses envergam camisas negras em tempo de guerra, pois o sangue derramado não deve ser visível. Abro o canal rebelde e destacam-se, entre os 10.000 resistentes, muitos jovens envergando camisas negras e bandas coloridas a cingir a fronte, bastões e sticks de golpe - lembrando a origem social dos contestatários - fotos do rei e das armas nacionais apostas nas camisas. Para assistirem em directo as emissões da tv rebelde, basta clicar aqui. Para uma informação imparcial (Thai Tv International), clicar aqui ou aqui

Contudo, hoje andei pela cidade, fui às aulas de tailandês, fui à biblioteca, passei pelos centros comerciais e Banguecoque está, como sempre, frenética de vida, cheia de turistas e business. Dir-se-ia que nada está acontecer. Como Luís Capeto em 14 de Julho de 1789, apetecia-me escrever, hoje, 29 de Agosto de 2008: "nada a assinalar".

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