09 agosto 2008

Asiafilia II


Eu bem sei, disse-me o sr. Manel da mercearia: os chineses matam criancinhas, no ventre ou fora dele, comem tudo o que rasteje, nade, tenha duas, três ou quatro patas, devorando toda a restante criação que exiba mais que uma asa, não contando os insectos, sim, os insectos: centopeias, mil-pernas, escorpiões e formigas enlatadas ou defumadas. Acresce, diz-me a dona Eufémia da padaria, que se pelam por suplícios - a célebre tortura chinesa - e exploram até à morte velhos e crianças, coitados, obrigando-os a garimpar minas de urânio a tronco nu.

Os chineses passam meio dia deitados na enxerga fumando ópio, outra parte devorando e a restante congeminando conspirações contra o Ocidente em lavandarias e lojas dos 300. Os chineses espalham-se como piolhos pelo mundo, preparam um império e a desforra derradeira: é a célebre vingança do chinês, cujo espólio incluirá as mulheres brancas - que eles tanto cobiçam, pois as deles são tão feias, coitadas - para as lançarem nos terríveis haréns. Diz-se que nas suas pútridas ruas, lá para o Martim Moniz, organizam tríades e uma rede subterrânea que usam como banco para financiar a destruição do outrora rico e florescente mercado retalhista lisboeta; que estão associados ao tráfico de drogas e "carne branca" - sempre a carne - e nos têm um ódio inextinguível: é a célebre tese dos Judeus da Ásia Oriental, forretas, gananciosos, agiotas, carregados de cordões de ouro, talismãs e amuletos, vivendo como ratos na penumbra das suas chinatown's.

O chinês não pára e se precisa de dormir meia hora reveza-se num catre imundo que vai sendo usado por rotação acompanhando os ponteiros do relógio. Vivem trinta e quarenta numa casa, usando o mesmo passaporte, enterram secretamente os seus mortos, fingindo que continuam vivos (diz-se, até, que os comem) e, como são todos iguais - dentes de roedor, nariz achatado, sem olhos e uma trança - não se distinguem uns dos outros, nem os homens das mulheres, nem as crianças dos velhos. É a célebre tese dos macacos amarelos.

O chinês copia. A sua natureza perversa deu-lhe dotes de copista, de macaqueador e ladrão do génio inventivo dos outros povos. Além de parasita, é impostor, pois, diz-se - quem mo afirmou foi o João da Silva, professor primário em Reguengos - que roubou a invenção do papel, da pólvora, da imprensa, da bússola, da cartografia, do compasso (estão a ver, maçonaria !), do telescópio, das fechaduras das portas, das notas bancárias, das escovas de dentes, do princíopio matemático dito de Cavalieri, da teoria dos números congruentes, dos caixões rectângulares, da serra mecânica, dos fornos siderúrgicos, do fogo de artifício, da hibridação do arroz, do papagaio, das comportas, dos sismógrafos, da seda e das pontes suspensas a outros povos que tiveram a infelicidade de lhes transmitirem tais segredos. É a célebre tese dos transistores de Hong Kong.

Na China, aquilo é uma barbaridade. Como poderemos nós, que nunca tivemos nem escravatura nem crianças a trabalhar em fábricas, nem nos matámos jamais, nem tivemos campos de concentração, nem extermínio metódico de gente, que nunca tivemos censura, nem polícias políticas, nem decapitações públicas, autos-de-fé e tiros na nuca compreender aquilo que por lá vai ? Está fora da nossa imaginação aquele terror todo, com as concubinas enterradas vivas no túmulo do Chin, com aquele horror da matança dos animais - aqui não há caça, mas um desporto, nem touradas, nem a matança do porco, nem se matam cães à fome e sede nos canis; isso, sim, foi inventado por eles - perceber o que vai naquelas cabeças tortuosas ? É a célebre tese da crueldade do chinês.

Aquela gente foi feita para matar. Não se lembram da invasão dos mongóis ? E quando vier essa gente toda, de cutelo em riste, destruindo tudo à sua passagem, como núvem de gafanhotos a queimar, comer e violar os povos amantes da paz e tementes a Deus ? E quando essa gente toda destruir as nossa bibliotecas e museus, transformar em celeiros as nossas universidades, escravizar e matar por exaustão os vigorosos braços que outrora edificaram S. Pedro, a city londrina, a Torre Eiffel e o Partenon ? Pois, as guerras, se as houve - a tal do Ópio, as tais expedições punitivas à megera Tsi Hsi, acolitada pelos boxer's, inimigos da civilização, mais a destruição do Palácio de Verão de Qianlong, mais o escaqueirar da maior colecção mundial de porcelanas, em Tianjin, mais os bons soldados franceses ao pulos no trono da Cidade Proibida - tudo isso foi para lhes dar uma lição. É a célebre tese da invasão amarela.
Os chineses têm pelos portugueses um ódio particular. Por isso, para nos humilharem, nunca nos quiseram tirar Macau, nem sob o Império, nem sob Chiang Kai Shek, nem ainda durante a tirania de Mao. Eles só quiseram negócios com os jesuítas, essa outra raça pestilenta de sotaina - não deixem de ler a Monita Secreta, está lá tudo - e até tiveram como pró-ministro dos estrangeiros um renegado português que lhes salvou a pele no século XVII, enganando os bons dos russos em Nerchinsk. Abram os olhos. A D.ª Felismina é que tem razão: "os chineses até o meu Piruças mandavam para o tacho". Vai daí, agarra na saca plástica e vai ao "Martins Moniz", pois "lá as coisas são mais baratas".

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