25 agosto 2008

Ao contrário das Cassandras

Não houve matança, nem bombas, nem manifestações, nem prisões em massa. Correu tudo bem; ou antes, correu tudo mal para quem pensava que os Jogos de Pequim abririam a porta à mais tremenda das convulsões. Quando o ocidental pensa no Oriente, disparam-se o reflexo condicionado de milhares de lugares-comuns, de anedotas e outros tropismos, prova que o Ocidente, para além da barganha que entusiasma os patetas do business, nada sabe desse mundo. É coisa velha que se prolonga e pode, concerteza, guardar-nos surpresas para o futuro. Afinal, a China é um Estado que compreende a etiqueta, as convenções internacionais e assegura - coisa em rápida desaparição entre nós - segurança a quem se passeie pelas ruas. Eles estão a enriquecer, não querem problemas e, por isso, tudo farão para se manterem no jogo do poder global evitando inimigos desnecessários e protagonismo excessivo. Para quem conheça um pouco a alma chinesa fica com a certeza que a China, por ora, não quererá ocupar o lugar deixado vazio pelo império soviético. O chinês é tímido e discreto, não transborda auto-confiança e evita o conflito. Sendo um quinto da humanidade, quererá - elementar justiça - que a sua voz seja ouvida. Elementar, não ?

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