17 julho 2008

Voltaire, espeto corrido e Jansenista



O mundo tem destas coisas. No penúltimo dia desta esgotante passagem pelo rectângulo, uma manhã repimpado na leitura das Cartas Inglesas de Voltaire e um almoço de espeto corrido oferecido por um ex-aluno que, sabendo-me em Lisboa, teve a gentileza de me convidar para uma herodiana comezaina de viandas. Entretido estava a destruir o espartano regime de papas de aveia a que me submeto, quando uma voz cheia de autoridade vinda de outra mesa se foi impondo à conversa de circunstância que ia mantendo com o meu parceiro. Era um grupo de juristas, pelo tom, terminologia e estilo - os juristas usam uma linguagem que parece escrita - mas desse grupo destacava-se, pelo tom assertivo mas sem autoritarismo, uma voz que comandava o ritmo e rumo da conversa. Esclarecido e enciclopédico, parecia estar a dar uma aula. Dei comigo a pensar que já ouvira - ou lera - alguém com tal gabarito. Tenho a certeza que era um nosso confrade blgosférico. Estarei errado ? Se em mim reparou, deve ter ficado espantado com o ar de turista e veraneante, mas é hoje essa a minha atitude perante o país: cada vez mais ausente e distante dos afectos, desafectos e modos da nossa terra.

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