13 julho 2008

Sadr city

Foi preciso vir dos confins do mundo para me aperceber da magnitude da desagregação do Estado Português. Outros desculpar-se-ão invocando os distúrbios de Paris, outros lembrarão o flagelo napolitano, outros ainda refugiam-se no lirismo de uma terra abençoada pelo sol. Nestes curtos dias em Lisboa, para além do acentuar do cinzento esgar, das comissuras desencantadas, das fachadas literalmete vandalizadas e dos prédios devolutos, dos incêndios na Avenida e do fim de festa do tão prometido arranque económico - hoje tão credível como as profecias de Daniel - dei-me conta que já ninguém manda e já ninguém obedece. As facadas da praia anunciaram os tiros num ignoto bairro social. Talvez na próxima vez assista a tiroteio no Rossio. Volto para a Ásia com a clara sensação que Lisboa, nove meses volvidos, está muito diferente, para pior. Só nos falta emular Sadr city.

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