10 julho 2008

Regresso após duas semanas


Uma curta ida a Portugal é um cabo de trabalhos e obrigações: documentos por tratar, assinaturas, contas a saldar, impressos há muito reclamando preenchimento, assinaturas várias e requerimento de visto de longa duração prenderam-me durante quase duas semanas a uma massa de papéis carimbados. Acresce que a familia e amigos, o mais importante de tudo quanto me prende a Lisboa, me exigiram presença para longas conversas ou simples actualização de outras deixadas em suspenso em Outubro passado, quando parti para terras do Oriente. Nestes dias passados na azáfama de repartições regurgitantes vi o que sempre vira, mas em versão acrescentada. O Estado e a sua maquinaria deixou para trás o mito do fim da burocracia e aprofundou-a, agora com mais tecnologias de controlo, mais zelo e dados. O Estado escuda-se da crise para investir forte e feio contra os segredos dos cidadãos, descobrindo as moedas escondidas sob o colchão, os vinte Euro ganhos numa aula dada nos confins de Atrás do Sol Posto, questionar a inclusão do paracetamol ou de um livro sobre borboletas no IRS, exigir a devolução de uns míseros cobres mal parados. A crise reforça o Estado e nada nada há melhor que o medo para justificar a retoma do controloeirismo e da vigilância que lhe restituem a dignidade semi-divina que se havia eclipsado nos tempos de fartura. Em tempos de crise, a única crise que não existe e atormenta é a do Estado. Cidadãos fracos e temerosos, Estado forte e agressivo. Assim foi no passado, assim o é no presente. Bendita crise !

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